Economia
Tensão no Irã faz preços do petróleo subirem
As intenções dos Estados Unidos são incertas, mas Trump ameaçou diversas vezes intervir militarmente no Irã
Os preços do petróleo fecharam nesta quarta-feira 14 no nível mais alto dos últimos três meses, em um contexto de tensão elevada no Irã e de ameaças de Washington a Teerã.
O barril do Brent para entrega em março subiu 1,60%, aos US$ 66,52, superando os US$ 66 pela primeira vez desde outubro. Já o WTI para fevereiro subiu 1,42%, aos US$ 62,02.
A decisão de Washington de retirar parte dos seus funcionários da base militar do Catar foi percebida pelo mercado “como um sinal de que estamos à beira de uma ação militar” no Irã, explicou à AFP John Kilduff, da Again Capital.
As intenções dos Estados Unidos são incertas, mas Trump ameaçou diversas vezes intervir militarmente no Irã para encerrar a repressão aos protestos contra o governo. O mercado “teme que isso escale para algo mais grave em nível regional”, o que “causou um forte aumento do prêmio de risco nesta semana”, disse Kilduff.
O mercado também questiona o que poderia acontecer no Estreito de Ormuz, cercado por Irã, Emirados Árabes e Omã, e por onde transita quase 20% do petróleo mundial.
Analistas da Brown Brothers Harriman consideram improvável um bloqueio do estreito. “O Irã depende fortemente dessa via para suas exportações” e qualquer perturbação poderia “paralisar ainda mais sua economia”, observaram.
Para Arne Rasmussen, analista da Global Risk Management, um eventual bloqueio das exportações iranianas dispararia os preços do petróleo, que poderiam atingir rapidamente os níveis registrados durante a guerra de 12 dias entre Irã e Israel em junho passado, ou seja, entre US$ 80 e US$ 85.
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