Economia

Senado aprova MP com piso permanente de R$ 400 para Auxílio Brasil

Inicialmente, a proposta do governo federal previa esse piso somente até dezembro de 2022, mas o substitutivo aprovado na Câmara e chancelado pelo Senado institui o “benefício extraordinário”

O plenário do Senado. 
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
O plenário do Senado. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
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O Senado aprovou nesta quarta-feira 4 a medida provisória (MP) que aumentou o valor mínimo do Auxílio Brasil para R$ 400. O texto torna esse piso permanente. O texto saiu da Câmara no fim de abril e sofreu alterações antes de chegar ao Senado. Agora, a matéria segue para sanção presidencial.

A MP enviada pelo governo previa o pagamento desse complemento somente até dezembro desse ano, mas líderes partidários, ainda na Câmara, pressionaram pela mudança. A estimativa é que o governo precise de R$ 41 bilhões por ano para pagar o complemento do benefício, quase o mesmo valor usado para pagar o Auxílio Brasil, cerca de R$ 47,5 bilhões.

O Auxílio Brasil foi o programa social lançado pelo governo em substituição ao Bolsa Família, criado em 2003. Os deputados também alteraram o projeto, incluindo um trecho que limita a 30% o desconto nos pagamentos do Auxílio Brasil decorrentes de recebimento indevido do seguro-defeso no passado.

Inicialmente, a proposta do governo federal previa esse piso somente até dezembro de 2022, mas o substitutivo aprovado institui o “benefício extraordinário”, uma espécie de complemento ao valor do Auxílio Brasil de forma permanente. Sem o benefício extraordinário para completar o valor mínimo de R$ 400, o Auxílio Brasil teria um tíquete médio de R$ 224. Depois, o valor era uma incógnita, o que provocou críticas de oposicionistas que acusaram a medida de ser ‘eleitoreira’.

Na Câmara, deputados da oposição também atuaram para que o valor fosse de R$ 600, mas tiveram voto vencido neste quesito. Representando a oposição, o deputado Afonso Florence (PT-BA) disse que considera o resultado uma vitória da oposição pelo caráter permanente da medida, mas acrescentou que considerava R$ 600 um valor mais adequado.

No Senado, a MP foi relatada por Roberto Rocha (PTB-MA), que comemorou a aprovação. Ele lembrou que o Auxílio Brasil substituiu o Bolsa-Família como principal programa de renda do governo federal, e fez uma comparação entre os dois:

— O país dá hoje um passo decisivo pela erradicação da extrema pobreza. Ao tornarmos permanente o benefício extraordinário, incluiremos os mais necessitados no orçamento como nunca feito antes. Estamos falando de triplicar o orçamento que o Bolsa-Família tinha — disse Rocha, ao dar parecer favorável à MP.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN), representando a oposição, declarou voto a favor da proposta, mas fez uma ressalva quanto à comparação com o Bolsa-Família. Para ele, a situação econômica atual do país torna o Auxílio Brasil mais frágil do que o seu antecessor.

— O aumento dos beneficiários sequer alcança a quantidade de novos pobres gerados na época da pandemia. A inflação na época da criação do Bolsa Família era de 4% a 5%, agora é de 10% a 12%. O projeto era feito com data para terminar na eleição. Nenhuma preocupação com sensibilidade social espontânea — criticou.

(Com informações de Agência Brasil, Agência O Globo, Agência Câmara e Agência Senado)

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