Economia

Secretário do Tesouro defende ouvir saúde, e não economia, na crise do coronavírus

Apesar do discurso alinhado com a prioridade à contenção da covid-19, Mansueto adianta: o pós-crise será de austeridade em cima do povo

(Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
(Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
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Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, afirmou em uma entrevista nesta quinta-feira 16 que a prioridade do momento é ouvir a área da saúde, e não os economistas – uma fala que se alinha aos discursos mundiais e se afasta do presidente Jair Bolsonaro. Porém, ao mesmo tempo, Mansueto garantiu que o momento pós-crise no Brasil será de austeridade fiscal e mais reformas econômicas – as mesmas que, no ano de 2019, fizeram o Brasil ter um crescimento pequeno.

O secretário conversou com jornalistas do canal GloboNews e chegou a tecer elogios à conduta do Congresso Nacional na elaboração da PEC do Orçamento de Guerra – que separa os gastos públicos do governo para conter o avanço e mitigar os efeitos do coronavírus no País – do orçamento regular da União, que vem sendo pautado na contenção de recursos públicos.

Em um momento de pandemia, argumenta o secretário, a receita neoliberal não é prioridade. “Neste ano, o ajuste fiscal não é prioritário. O prioritário é dar recursos para a saúde, proteger as pessoas que estão na informalidade e tentar manter o emprego.”, disse.

“Tem algumas pessoas que projetam o cenário em que a restrição de contato social terá que ser mais longo. Eu confesso que neste assunto temos que escutar as pessoas da área da saúde, as pessoas da área de saúde são as melhores pessoas, muito mais que economistas, para dizer como isso vai evoluir”, complementou o secretário.

Porém, ao ser questionado sobre a centralidade do poder público na disponibilidade de recursos para estados e municípios e nos pacotes de auxílio para informais, articulados pelo Congresso e pelo governo federal, Mansueto afirmou que a lógica de “privatizar tudo”, seguida por Paulo Guedes, não é adequada. Logo depois, defendeu que o pós-coronavírus no Brasil e no mundo será um período de austeridade fiscal.

“Esta é a lição para todos os países do mundo. Depois da crise, quando voltarmos a crescer, vamos economizar, fazer ajuste fiscal, para ter fôlego para ficar preparado para a próxima crise. Porque sempre haverá crises, e muitas vezes elas são imprevisíveis, como esta. Ninguém imaginava que a gente ia passar por isso hoje, parece um filme de ficção científica”, argumentou.

CartaCapital
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