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Ressaca na Bolsa: empresas de tecnologia enfrentam a cautela dos investidores

O setor deve provar que pode prosperar em um mundo pós-bloqueio, onde o aperto do ­custo de vida deixa os consumidores com menos dinheiro para produtos e serviços de tecnologia

Ressaca na Bolsa: empresas de tecnologia enfrentam a cautela dos investidores
Ressaca na Bolsa: empresas de tecnologia enfrentam a cautela dos investidores
A Tesla, de Musk, perde valor - Imagem: Maria Aufmuth/TED
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Todas as ações experimentam uma ressaca de ano-novo e empurram a Nasdaq para a correção. O impulso cresce contra as empresas com promessas empolgantes de remodelar o mundo, à medida que os investidores se voltam para alternativas de “valor”, como petróleo e bancos.

O setor de tecnologia agora enfrenta uma crise de 15 dias, já que seus maiores nomes divulgam resultados, incluindo Microsoft, Tesla e Apple. Eles devem provar que podem prosperar em um mundo pós-bloqueio, onde o aperto do ­custo de vida deixa os consumidores com menos dinheiro para produtos e serviços de tecnologia. “As perspectivas para o Nasdaq 100 serão muito mais claras em duas semanas”, diz Matt Weller, chefe global de pesquisa do Forex.com e do City Index. Relatórios de ganhos fracos ou orientações fracas podem fazer com que o índice tenha um de seus piores começos em mais de uma década.

Embora um retorno hesitante à vida normal tenha sido sacudido pela ­Ômicron, ações de crescimento menores, como as vencedoras da pandemia Peloton e Zoom, estão sob pressão há meses. Um número quase recorde de ações de tecnologia caiu recentemente ao menos 50% em relação aos seus máximos de todos os tempos. As ações das gigantes da tecnologia tiveram uma corrida incrível, ajudando o índice de TI do S&P 500 a entregar retornos de sucesso de 33% em 2021. Mas o setor perdeu cerca de 10% em janeiro.

A ansiedade com os aumentos das taxas de juro nos EUA prejudica as empresas de tecnologia não lucrativas que prometem grandes ganhos no futuro. O ­Federal Reserve provavelmente aumentará as taxas várias vezes neste ano, para domar a inflação nos EUA, agora em seu nível mais alto desde 1982.

Analistas preveem que a receita da ­Apple cresceu 6% ano a ano no último trimestre, superando o lucro recorde do ano passado, de 111,4 bilhões de dólares. Os lucros podem subir 13%. Mas ainda enfrentam o risco de uma desaceleração acentuada no impulso, alertam Russ Mold e ­Danni Hewson, da AJ Bell – “devido à base difícil de comparação causada pelo enorme aumento na demanda por ­iPhones, iPads e iMacs em 2020-21, enquanto os trabalhadores estavam em casa”.

Depois de quebrar as metas de produção no último trimestre, a Tesla, de Elon Musk, poderia ter mais a dizer sobre o futuro, com investidores e clientes ansiosos para saber quando modelos tão esperados, como a picape ­Cybertruck e o esportivo Roadster, chegarão à estrada. O interesse em ambos é alto, mas as ações da Tesla caíram neste mês, depois que as referências sobre o início da produção do Cybertruck desapareceram de seu site. E mesmo que as gigantes da ­tecnologia atinjam seus números, elas ainda enfrentam um escrutínio. A Meta, dona do ­Facebook, é alvo de reguladores que querem desmembrá-la, e a presidente da Comissão Federal de Comércio, Lina Khan, promete não recuar.

Ela argumenta que a estrutura tradicional da lei de concorrência não era adequada para avaliar as gigantes digitais, então era necessária uma mais ampla. A Amazon e o Facebook alegam que Khan deve ser removida das investigações antitruste, porque ela não é imparcial. Mas a sua experiência pode ser exatamente o que é necessário para manter a Big Tech sob controle. •

PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 1193 DE CARTACAPITAL, EM 2 DE FEVEREIRO DE 2022.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título “Ressaca na Bolsa”

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