Economia

População desocupada chega a 12,9 milhões de pessoas, diz IBGE

Novos dados da PNAD COVID-19 mostram que 1,6 milhão de pessoas estavam sem receber remuneração por estarem afastadas do trabalho

População desocupada chega a 12,9 milhões de pessoas, diz IBGE
População desocupada chega a 12,9 milhões de pessoas, diz IBGE
Cidadãos caminham de máscara em Manaus, Amazonas. Foto: Mário Oliveira/SEMCOM
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A população desocupada no Brasil chegou a 12,9 milhões de pessoas, um aumento de 27,6% desde maio, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a realizar a PNAD COVID-19, que teve nova fase divulgada nesta quarta-feira 23.

Os dados coletados pelo IBGE mostram também que, entre os 6,7 milhões de ocupados que estavam afastados do trabalho na semana da pesquisa, aproximadamente 1,6 milhão de pessoas estavam sem receber remuneração.

A população ocupada do mês de agosto teve um pequeno aumento de 0,8% em relação a julho, mas ainda sofre impactos desde o começo da pesquisa, com uma redução de 2,7% em comparação a maio. Com isso, são 84,4 milhões de pessoas com uma ocupação nesse momento – considerando formais e informais.

Nesse recorte, segundo o IBGE, o contingente de trabalhadores considerados informais ficou em 27,9 milhões de pessoas em agosto, o que representa certa estabilidade no setor na comparação com julho.

Houve, também, mudanças no cenário devido à retomada das atividades neste momento da epidemia de coronavírus, perceptível pelo número de horas efetivamente trabalhadas no País: o número médio foi de 40,1 horas por semana, sem muitas disparidades entre as regiões do Brasil.

Mudanças no rendimento

Em relação aos salários, o rendimento efetivo dos trabalhos ficou em uma média de 2.137 reais – o que representava 89,7% do habitualmente recebido, aponta a pesquisa – e o rendimento habitual de todos os trabalhos ficou, em média, em 2.384 reais. De julho para agosto, não houve grandes variações nesses dois indicadores.

No cenário geral, foram as mulheres que mais acrescentaram diferença entre as horas semanais habituais e efetivas de todos os trabalhos: para elas, a diferença foi de 7,1 horas, enquanto que, para os homens, esse valor ficou em 5,2 horas.

No Sudeste, o rendimento efetivo de todos os trabalhos representava 89,0% do que habitualmente era recebido e, no Sul, 89,3%, fazendo com que as duas regiões registrassem as maiores diferenças, embora ambas tenham percentuais abaixo da média nacional.

Minoria cumpre trabalho remoto

Mesmo com a volta de diversas atividades presencialmente, não houve mudanças significativas para quem estava trabalhando remotamente desde o início da quarentena.

“O número absoluto de pessoas trabalhando remotamente se manteve praticamente inalterado ao longo de toda a pesquisa: 8,7 milhões de pessoas em maio; 8,6 milhões em junho; e 8,4 milhões em julho e em agosto”, diz a pesquisa.

O percentual de mulheres que trabalharam remotamente foi de 15,7%, superior ao registrado pelos homens, de 8,0%, sem diferenças gritantes entre os diferentes grupos etários, apesar das pessoas com 60 anos ou mais serem maioria nessa categoria.

A maior discrepância está na escolaridade: entre as pessoas sem instrução ao fundamental incompleto, e para os com fundamental completo ao médio incompleto, apenas 0,5% e 1,2%, respectivamente, estavam trabalhando em casa. Para pessoas pessoas com nível superior completo ou pós-graduação, essa taxa subia para 33,6%.

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