Economia

PIB desacelera e cresce 0,2% no segundo trimestre

Consumo das famílias é destaque e volta a crescer depois de nove trimestres seguidos de retração

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Após registrar expansão de 1% no primeiro trimestre de 2017, a economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre na comparação com os três meses imediatamente anteriores, já considerando os ajustes sazonais. Os dados foram divulgados na manhã da quinta-feira 1º pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o segundo trimestre de 2016, o PIB variou 0,3% e no primeiro semestre de 2017 o PIB apresentou variação nula em relação ao primeiro semestre de 2016. No acumulado de 12 meses até julho a economia ainda apresenta recuo, de 1,4%. Até o fim de 2016 o Brasil registrou uma sequência de oito trimestres de retração econômica.

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O resultado acompanhou as projeções de analistas de mercado, que já estimavam a estabilidade no segundo trimestre. O próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também esperava que o PIB de abril a junho viria “próximo do equilíbrio”, ou seja, sem variação positiva ou negativa.

Consumo das famílias volta a crescer

Se no primeiro trimestre do ano foi a Agropecuária quem puxou o crescimento econômico, desta vez o destaque, apesar de tímido, vem do consumo das famílias.

Após nove trimestres consecutivos de queda, a Despesa de Consumo das Famílias voltou a apresentar resultado positivo: crescimento de 0,7% na comparação com mesmo período de 2016 e de 1,4% ante o primeiro trimestre. Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pela evolução de alguns indicadores macroeconômicos ao longo do trimestre, como a desaceleração da inflação, a redução da taxa básica de juros e o crescimento, em termos reais, da massa salarial.

O investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), no entanto, ainda sofre com a lenta recuperação do consumo e teve contração de 6,5% no primeiro trimestre de 2017, a 13ª consecutiva na comparação com o mesmo período do ano passado e de 0,7% ante o primeiro trimestre. Este recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações de bens de capital e pelo desempenho negativo da construção neste período. A Despesa de Consumo do Governo, por sua vez, teve contração de 2,4%.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços apresentaram crescimento de 2,5%, enquanto as Importações de Bens e Serviços sofreram contração de 3,3% no segundo trimestre de 2017 em relação a 2016. Na comparação de janeiro a março as Exportações de Bens e Serviços cresceram 0,5%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços caíram 3,5% em relação ao primeiro trimestre de 2017.

Dentre as exportações de bens, aqueles que registraram os maiores aumentos foram veículos automotores, petróleo e gás natural, produtos agropecuários e papel e celulose. Na pauta de importações de bens, as quedas mais relevantes ocorreram em máquinas e equipamentos, equipamentos de transporte (exceto veículos automotores), minerais metálicos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e produtos de metal.

Pelo lado da demanda, a Agropecuária registrou variação nula, a Indústria caiu 0,5% e os Serviços cresceram 0,6%. Na Indústria, houve queda de 2% na construção e de 1,3% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana. A extrativa mineral variou 0,4% e a indústria de transformação manteve-se praticamente estável (0,1%).

Nos Serviços, tiveram resultado positivo: comércio (1,9%), atividades imobiliárias e outros serviços (0,8%) e atividade de transporte, armazenagem e correio (0,6%). Os serviços de informação caíram 2,0% e as atividades de administração, saúde e educação pública (-0,3%) e de intermediação financeira e seguros (-0,2%) registraram variações negativas.

Em valores

O Produto Interno Bruto no segundo trimestre de 2017 totalizou 1,639 trilhão de reais, sendo 1,422 trilhão de reais referente ao Valor Adicionado a preços básicos e 216,5 bilhões de reais aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

A taxa de investimento no segundo trimestre de 2017 foi de 15,5% do PIB, abaixo do observado no mesmo período do ano anterior (16,7%). A taxa de poupança foi de 15,8% no segundo trimestre de 2017 (ante 15,6% no mesmo período de 2016).

Prévia do BC

Nas últimas semanas, a economia brasileira assistiu a alguns sinais de uma possível recuperação após quase três anos seguidos de retração.

O dado do IBGE divulgado agora veio em linha com Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, considerado uma prévia do indicador oficial ou o “PIB do BC”. O indicador do BC subiu 0,5% em junho em comparação com maio, acumulando alta de 0,25% no segundo trimestre, menos do que o 1,2% dos primeiros três meses do ano.

O Monitor do PIB/FGV, da Fundação Getulio Vargas, também divulgado em agosto, mostrou um salto ainda maior em junho, de 2,65%, mas fechou o segundo trimestre com recuo de 0,24% em comparação com o primeiro.

As metodologias dos indicadores do IBGE e do BC são diferentes: enquanto a estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos, o PIB é calculado pela soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período.

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