O que dizem analistas do mercado sobre o crescimento de 1,2% do PIB

Na comparação com o primeiro trimestre de 2020, a alta foi de 1%. O acumulado em 12 meses, entretanto, revela que a retração ainda perdura

 (Foto: iStockPhoto)

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Economia

O PIB brasileiro cresceu 1,2%. A expansão do trimestre, o terceiro a registrar avanços, após as retrações de 2,2% no primeiro trimestre do ano passado e de -9,2% no segundo, superou as expectativas do mercado financeiro

Na comparação com o primeiro trimestre de 2020, a expansão da economia foi de 1%. O acumulado em 12 meses, entretanto, revela que a retração ainda perdura: comparado ao mesmo período anterior, a queda foi de 3,8%.

Para Fabio Astrauskas, economista CEO da Siegen Consultoria e professor do Insper, o resultado surpreendeu em razão das dúvidas sobre a capacidade de recuperação economia e pela interrupção do auxílio emergencial, retomado apenas em abril. 

“A escalada do preço de commodities favoreceu fortemente o setor agropecuário, que teve alta de 5,2% de alta, e a indústria de transformação, com crescimento de 5,6%”, avalia, ressaltando ainda que “a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) teve um crescimento expressivo de 4,6%, principalmente por conta da reposição de estoques, ajustados para baixo durante o ano de 2020.”

 

Para o economista, este é um sinal de expectativa de crescimento forte da demanda e do consumo. “O PIB do Brasil e do mundo vive momento de forte recuperação”, pontua.

Para os otimistas, o País deverá superar as expectativas atuais de crescimento, provavelmente fechando o ano com crescimento acima de 4%, graças, sobretudo, à exportação de commodities, à vacinação no segundo semestre e à retomada do consumo. Já pelo lado pessimista, olhando ‘o copo meio vazio’, o crescimento brasileiro ficará provavelmente inferior à média das maiores economias e terá que lidar com o combate à inflação, que irá pressionar o governo no segundo trimestre, sinaliza Astrauskas.

A equipe de economistas da Genial Investimentos, formada por José Márcio Camargo , Eduardo Ferman e Yihao Lin, destacou os seguintes pontos:

Na agropecuária (5,7% no trimestre e 5,2% ao ano), a alta foi puxada pelo aumento na produtividade e bom desempenho de determinados produtos, com destaque para soja, que tem o maior peso na lavoura do País e expectativa de safra recorde em 2021.

O crescimento da indústria (0,7% no trimestre e 3% ao ano) foi puxado pela indústria extrativa (3,2% no trimestre). A construção civil avançou 2,1% no trimestre e a produção de eletricidade, gás e agua cresceu 0,9% no trimestre. Houve crescimento em todos os subsetores da indústria, menos a indústria de transformação (a com maior peso), que recuou 0,5%, impactada pela indústria alimentícia.

No setor de serviços (0,4% no trimestre e -0,8% ao ano), houve resultados positivos em transporte, armazenagem e correio (3,6% no trimestre), intermediação financeira e seguros (1,7% no trimestre), informação e comunicação (1,4% no trimestre), comércio (1,2% no trimestre) e atividades imobiliárias (1,0% no trimestre). Outros serviços ficaram estáveis (0,1% no trimestre). O único grupo que apresentou contração foi o de administração, saúde e educação pública, diante da queda da ocupação no setor, com a aposentadoria de profissionais e não ocorrendo a reposição das vagas.

A taxa de investimento ficou em 19,4% do PIB, com a média móvel de 4 trimestres chegando a 17,2% PIB. Sendo a maior taxa desde o 1º tri de 2016.

Alertas

A Genial alerta que, embora o número de mortes pela Covid-19 continue a apresentar queda nas últimas semanas, sugerindo que as medidas de isolamento social e a vacinação estão gerando efeito positivo na contenção do número de mortes, o número de casos registrados apresenta nova tendência de crescimento, assim como   número de pacientes internados em leitos clínicos e de UTI está aumentando. “Nesse sentido, a incerteza permanece acima do usual e novas ondas de contaminação/óbitos não podem ser descartadas.”

Outra alerta reside na queda da massa de rendimentos efetiva, em relação ao nível de população ocupada pré-pandemia, ao redor de 60 e 70 bilhões de reais entre março e junho deste ano. “O novo auxílio será limitado a 44 bilhões, o que indica uma queda abrupta na massa de rendimentos. Porém, houve uma forte formação de poupança nos últimos meses, que ajudarão a suavizar o consumo no futuro”, observam. “Projetamos que o novo auxílio emergencial combinado ao consumo da poupança acumulada serão suficientes para compensar a queda na massa de rendimentos. Se o mercado de trabalho apresentar recuperação muito lenta, pode resultar em queda no consumo.”

Por fim, advertem que o risco fiscal continua desafiador, pois o Brasil é o país emergente que mais gastou no combate à pandemia; o principal problema fiscal é crescimento da despesa e tem dimensão federativa; a dívida é muito alta em relação ao seus pares (em qualquer métrica), e , por fim a dívida subiu muito e encurtou. A normalização da Selic está em curso e o custo de rolagem vai subir de forma significativa.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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