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O novo consumidor brasileiro

Economia

O consumidor brasileiro de 2012 não é o mesmo de até bem pouco tempo atrás. Com mais dinheiro no bolso, os clientes ficaram mais exigentes e passaram a dar valor a detalhes que já não podem ser ignorados pelo mercado varejista. O brasileiro de hoje gosta de vinho, whisky importado, praticidade e rejeita produtos genéricos ou gordurosos. Não por acaso, embora a renda dos trabalhadores tenha aumentado, a venda de sabonetes, pães e leites comuns tem tido um crescimento baixo nos últimos anos.

Além disso, os produtos à venda competem com a oferta de serviços, como os relacionados à educação.

As conclusões fazem parte de um estudo elaborado pela consultoria Nielsen e que serão apresentados no seminário “As Tendências do Mercado de Consumo”, na próxima quarta-feira 21, no Cultural Clube Transatlântico, na Granja Julieta (São Paulo). Em entrevista a CartaCapital, o gerente-executivo da empresa no Brasil, Eduardo Ragasol, fala sobre as tendências do mercado para atender este novo público e lista o que deve encalhar nas prateleiras das redes varejistas.

Marcas mainstream, diz ele, levam vantagem. Já produtos que copiam os líderes, mas com qualidade inferior e menor preço sofrerão com a redução da demanda. Consequências da emergência de uma nova clientela.

Saiba quem são e o que querem os novos consumidores brasileiros:

Novos valores e prioridades

Quem começou a ganhar mais dinheiro no último biênio deve priorizar os gastos com educação e carro próprio, além de quitar dívidas adquiridas nos anos anteriores. “O público da classe C está viajando muito mais que viajava antes”, afirma Ragasol. Assim, o crescimento do mercado de consumo, ainda que positivo, será moderado. Em 2011, foi de apenas 1,2%. Em2012, a Nielsen aponta para a mesma proporção. Em contrapartida, o crescimento em valor desse mercado cresceu 8,2%.  Ou seja: a expansão ocorrerá sobretudo na venda de produtos mais caros e de maior qualidade. Nesse sentido, o setor mainstream – marcas lídres, bem posicionadas – levarão vantagem. Quem quiser se inserir, terá de entrar com produtos diferenciados, seguindo os quatro parâmetros abaixo:

Sofisticação: O crescimento de 40% no mercado de vinho mostra como o brasileiro tem procurado bem-estar e sofisticação ao escolher os produtos que irá consumir. O whisky importado levou vantagem em relação ao nacional, por exemplo.

Praticidade: Com a inclusão da mulher no mercado de trabalho e os hábitos da vida urbana,  a procura por soluções mas rápidas e convenientes tem crescido. Assim, produtos que facilitem a vida de quem cuida da casa são tendência. Entre eles, amaciantes, sabão em pó e inseticidas com spray automático. No setor alimentício, o consumo de biscoitos de marcas líderes e alimentos congelados deve crescer ainda mais.

Apelo à saúde: A sofisticação e praticidade se unem ao desejo de consumir alimentos mais saudáveis. Iogurtes funcionais, pães especiais, leites sem lactose ou sem gordura se enquadram na categoria de produtos que têm tido crescimento nas vendas. Sucos prontos, práticos e que apelam para um estilo de vida mais saudável também terão aumento de procura. Sabonetes líquidos e antibacterianos são tendência no setor de cosméticos.  Em contraposição, sabonetes, pães e leites comuns tem tido um crescimento inferior nas vendas.

Conveniência


Segundo Ragasol, o consumidor não está mais disposto a grandes deslocamentos para realizar

suas compras. Estabelecimentos de pequeno porte espalhados no território das cidades levam vantagem, em contraposição ao modelo de hipermercados, distantes do local de moradia dos clientes.

Crédito


A expansão do crédito, segundo a consultoria, é um dos fatores que impulsionam a economia. O seu crescimento acelerado, no entanto, pode resultar em inadimplência. “Isso ocorreu em 2010, de forma que o crédito diminui em2011”, afirma. O crédito sinaliza a confiança do consumidor – nesse quesito, o Brasil é o quinto no ranking mundial e o líder na América Latina.

Perfil


Além de engordar a nova classe média – que corresponde hoje a 95 milhões de pessoas, mais da metade da população – o aumento da renda e do mercado formal, aliada a redução do desemprego, impulsionou o consumo na Classe D. Ou seja, quem recebia até um salário mínimo há dois anos, tinha um poder de compra menor do que hoje. Agora, com o emprego fixo, as pessoas têm mais confiança na hora de gastar. A expansão do crédito também explica o aquecimento do mercado.

 

Riscos/consequências:

– Inflação. Para Ragasol, o aquecimento econômico brasileiro está preso em uma armadilha:

a inflação. “Toda vez que o governo impulsiona crédito e consumo, a economia decola, mas com inflação”, afirma Ragasol. “Para segurar a inflação, por sua vez, o governo segura variáveis econômicas”. Para combater esse empecilho, Ragasol aponta que o Brasil terá de rever sua estrutura de custos e impostos, além de investir em infraestrutura e melhorar a logística da indústria. Apenas simplificar a tributação, sem necessariamente reduzir a arrecadação, já seria um avanço. As empresas acabam gastando para conseguir pagar seus impostos e entender o complexo sistema fiscal do país. “Outras economias já mostraram que, se você tiver as condições certas, no entorno legal e de infraestrutura, ela pode crescer sem inflação”, afirma.

– Crise internacional: A economia brasileira ainda está baseada na exportação de commodities. Se a crise externa se agravar e a economia europeia realmente implodir, o Brasil sofrerá com a redução de demanda por matérias primas – o verdadeiro motor da economia brasileira, segundo Ragasol.

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O consumidor brasileiro de 2012 não é o mesmo de até bem pouco tempo atrás. Com mais dinheiro no bolso, os clientes ficaram mais exigentes e passaram a dar valor a detalhes que já não podem ser ignorados pelo mercado varejista. O brasileiro de hoje gosta de vinho, whisky importado, praticidade e rejeita produtos genéricos ou gordurosos. Não por acaso, embora a renda dos trabalhadores tenha aumentado, a venda de sabonetes, pães e leites comuns tem tido um crescimento baixo nos últimos anos.

Além disso, os produtos à venda competem com a oferta de serviços, como os relacionados à educação.

As conclusões fazem parte de um estudo elaborado pela consultoria Nielsen e que serão apresentados no seminário “As Tendências do Mercado de Consumo”, na próxima quarta-feira 21, no Cultural Clube Transatlântico, na Granja Julieta (São Paulo). Em entrevista a CartaCapital, o gerente-executivo da empresa no Brasil, Eduardo Ragasol, fala sobre as tendências do mercado para atender este novo público e lista o que deve encalhar nas prateleiras das redes varejistas.

Marcas mainstream, diz ele, levam vantagem. Já produtos que copiam os líderes, mas com qualidade inferior e menor preço sofrerão com a redução da demanda. Consequências da emergência de uma nova clientela.

Saiba quem são e o que querem os novos consumidores brasileiros:

Novos valores e prioridades

Quem começou a ganhar mais dinheiro no último biênio deve priorizar os gastos com educação e carro próprio, além de quitar dívidas adquiridas nos anos anteriores. “O público da classe C está viajando muito mais que viajava antes”, afirma Ragasol. Assim, o crescimento do mercado de consumo, ainda que positivo, será moderado. Em 2011, foi de apenas 1,2%. Em2012, a Nielsen aponta para a mesma proporção. Em contrapartida, o crescimento em valor desse mercado cresceu 8,2%.  Ou seja: a expansão ocorrerá sobretudo na venda de produtos mais caros e de maior qualidade. Nesse sentido, o setor mainstream – marcas lídres, bem posicionadas – levarão vantagem. Quem quiser se inserir, terá de entrar com produtos diferenciados, seguindo os quatro parâmetros abaixo:

Sofisticação: O crescimento de 40% no mercado de vinho mostra como o brasileiro tem procurado bem-estar e sofisticação ao escolher os produtos que irá consumir. O whisky importado levou vantagem em relação ao nacional, por exemplo.

Praticidade: Com a inclusão da mulher no mercado de trabalho e os hábitos da vida urbana,  a procura por soluções mas rápidas e convenientes tem crescido. Assim, produtos que facilitem a vida de quem cuida da casa são tendência. Entre eles, amaciantes, sabão em pó e inseticidas com spray automático. No setor alimentício, o consumo de biscoitos de marcas líderes e alimentos congelados deve crescer ainda mais.

Apelo à saúde: A sofisticação e praticidade se unem ao desejo de consumir alimentos mais saudáveis. Iogurtes funcionais, pães especiais, leites sem lactose ou sem gordura se enquadram na categoria de produtos que têm tido crescimento nas vendas. Sucos prontos, práticos e que apelam para um estilo de vida mais saudável também terão aumento de procura. Sabonetes líquidos e antibacterianos são tendência no setor de cosméticos.  Em contraposição, sabonetes, pães e leites comuns tem tido um crescimento inferior nas vendas.

Conveniência


Segundo Ragasol, o consumidor não está mais disposto a grandes deslocamentos para realizar

suas compras. Estabelecimentos de pequeno porte espalhados no território das cidades levam vantagem, em contraposição ao modelo de hipermercados, distantes do local de moradia dos clientes.

Crédito


A expansão do crédito, segundo a consultoria, é um dos fatores que impulsionam a economia. O seu crescimento acelerado, no entanto, pode resultar em inadimplência. “Isso ocorreu em 2010, de forma que o crédito diminui em2011”, afirma. O crédito sinaliza a confiança do consumidor – nesse quesito, o Brasil é o quinto no ranking mundial e o líder na América Latina.

Perfil


Além de engordar a nova classe média – que corresponde hoje a 95 milhões de pessoas, mais da metade da população – o aumento da renda e do mercado formal, aliada a redução do desemprego, impulsionou o consumo na Classe D. Ou seja, quem recebia até um salário mínimo há dois anos, tinha um poder de compra menor do que hoje. Agora, com o emprego fixo, as pessoas têm mais confiança na hora de gastar. A expansão do crédito também explica o aquecimento do mercado.

 

Riscos/consequências:

– Inflação. Para Ragasol, o aquecimento econômico brasileiro está preso em uma armadilha:

a inflação. “Toda vez que o governo impulsiona crédito e consumo, a economia decola, mas com inflação”, afirma Ragasol. “Para segurar a inflação, por sua vez, o governo segura variáveis econômicas”. Para combater esse empecilho, Ragasol aponta que o Brasil terá de rever sua estrutura de custos e impostos, além de investir em infraestrutura e melhorar a logística da indústria. Apenas simplificar a tributação, sem necessariamente reduzir a arrecadação, já seria um avanço. As empresas acabam gastando para conseguir pagar seus impostos e entender o complexo sistema fiscal do país. “Outras economias já mostraram que, se você tiver as condições certas, no entorno legal e de infraestrutura, ela pode crescer sem inflação”, afirma.

– Crise internacional: A economia brasileira ainda está baseada na exportação de commodities. Se a crise externa se agravar e a economia europeia realmente implodir, o Brasil sofrerá com a redução de demanda por matérias primas – o verdadeiro motor da economia brasileira, segundo Ragasol.

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