Economia

O grupo de trabalho de Renan para acompanhar o caso Master

Ao contrário de uma CPI, o GT não pode quebrar sigilos bancários, telefônicos ou telemáticos

O grupo de trabalho de Renan para acompanhar o caso Master
O grupo de trabalho de Renan para acompanhar o caso Master
O senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
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O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos da Casa, determinou nesta quinta-feira 15 a criação de um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o Banco Master.

Entre as prerrogativas do colegiado está a possibilidade de chamar autoridades e realizar visitas institucionais ao Banco Central, ao Tribunal de Contas da União, ao Supremo Tribunal Federal e à Comissão de Valores Mobiliários. Mas, ao contrário de uma CPI, não pode quebrar sigilos bancários, telefônicos ou telemáticos.

Integrarão o grupo os senadores Fernando Farias (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amim (PP-SC), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Alessandro Vieira (MDB-SE), Leila Barros (PDT-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF). O GT começará a funcionar oficialmente em fevereiro.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico nesta sexta-feira 16, Renan afirmou que o primeiro ato será requerer a cópia de todos os procedimentos abertos no TCU sobre o Master. A medida decorre de informações que o senador diz ter recebido sobre uma suposta pressão a setores da Corte para atrapalhar a liquidação da instituição, decretada pelo Banco Central em novembro.

Na prática, a criação do GT é uma forma de minar a decisão de abrir ou não uma CPMI para apurar o caso, que cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O requerimento para instalar a comissão já atingiu o número de assinaturas necessárias, mas depende do aval do Alcolumbre.

Investigações da Polícia Federal apontam que o Master captava recursos no mercado por meio de CDBs e os direcionava a fundos de investimento dos quais era cotista único. Esses fundos, por sua vez, adquiriam títulos de dívida de empresas sem capacidade financeira real, muitas delas controladas por pessoas ligadas aos próprios sócios do banco.

Esse ciclo, de acordo com os investigadores, permitia inflar artificialmente os ativos do Master e desviar recursos da instituição. Na quinta-feira, agentes da PF foram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão.

Nos alvos da batida policial estavam endereços ligados a Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, e a parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado. O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos, também estavam na mira das diligências.

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