Economia
Negócio bilionário faz a China entrar de vez no ouro brasileiro
A CMOC assumiu minas no Maranhão, na Bahia e em Minas Gerais. Até então, os ativos estavam sob o controle da canadense Equinox Gold
A empresa chinesa CMOC assumiu na última sexta-feira 23 a operação de unidades de mineração que eram controladas pela canadense Equinox Gold. A mudança se aplica à Mina Aurizona, no Maranhão; ao Complexo Bahia, formado pelas minas Fazenda e Santa Luz; e à Mina Riacho dos Machados, em Minas Gerais.
A Equinox recebeu 900 milhões de dólares e pode embolsar mais 115 milhões em janeiro de 2027, a depender de ajustes e da produção.
Segundo a CMOC, os ativos adquiridos contêm recursos totais de 5 milhões de onças de ouro e reservas de aproximadamente 3,9 milhões de onças. Em 2024, as operações no Brasil produziram 247,3 mil onças.
Fundada em 1969, a CMOC está entre as 20 maiores empresas de mineração do mundo. Tem 30 mil empregados, operações na Ásia, na África, na Europa e na América, e se destaca na produção de cobalto, cobre, molibdênio e tungstênio.
Está presente no Brasil desde 2016, principalmente nas áreas de nióbio e fertilizantes fosfatados em Catalão e Ouvidor, em Goiás, e em Cubatão, em São Paulo. Anunciou uma receita de mais de 5,6 bilhões de reais no ano passado e disse gerar cerca de 6 mil empregos diretos e 60 mil indiretos no País.
A notícia sobre as novas aquisições da CMOC ganha ainda mais relevância pelo contexto geopolítico desde a posse de Donald Trump para seu segundo mandato na Casa Branca, em janeiro de 2025.
O ouro acaba de ultrapassar a marca de 5 mil dólares por onça pela primeira vez na história, em meio à crescente incerteza e à turbulência global causadas pelo governo norte-americano. Na segunda-feira 26, a cotação chegou a 5.111 dólares.
O preço do ouro subiu recentemente devido às dúvidas relacionadas a temas como as ameaças de Trump à Groenlândia e a pressão do presidente sobre o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
O metal já havia se valorizado nos últimos dois anos, porém, diante do enfraquecimento do dólar e da alta inflação global — em janeiro de 2024, por exemplo, a negociação do ouro girava em torno de 2 mil dólares por onça.
Segundo Fawad Razaqzada, analista de mercado da Forex.com, o preço do ouro nos últimos dias indica um comportamento típico de “ativo de refúgio” — ou seja, há uma demanda por proteção ante a instabilidade da confiança no dólar e nos títulos.
“Apesar de alguma redução no risco geopolítico evidente, o apetite dos investidores por ouro e prata permanece aparentemente forte”, escreveu Razaqzada na segunda-feira.
O ouro também não passa ao largo das discussões sobre a Groenlândia, e os americanos consideram crucial o acesso aos recursos minerais do território. A União Europeia, por sua vez, identificou no local 25 dos 34 minerais de sua lista oficial de matérias-primas essenciais, incluindo as terras raras.
A canadense Amaroq explora a mina de ouro da Groenlândia e prevê desenvolver outra de terras raras — esta pode entrar em funcionamento em 2027 ou em 2028, e a empresa poderá extrair zinco, chumbo e prata, além de elementos críticos como germânio, gálio e cádmio.
Na costa oeste do território, a Lumina Sustainable Materials explora desde 2019 um depósito de anortosita.
Ao anunciar o controle das operações de minas brasileiras, a CMO afirmou que a novidade “reforça o posicionamento da companhia no mercado global de ouro, em alinhamento às diretrizes corporativas e à estratégia de crescimento sustentável de longo prazo, com foco na geração de valor e no desenvolvimento das regiões onde atua”.
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