Leilão da Cedae arremata três blocos e levanta R$ 22,6 bilhões

Participaram da disputa quatro consórcios: Aegea, Iguá, Rio Mais Saneamento e Redentor

 Leilão para privatização da CEDAE. Foto: Rogério Santana

Leilão para privatização da CEDAE. Foto: Rogério Santana

Economia

Mesmo com um bloco “seco”, ou seja, sem nenhum interessado, o leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), realizado nesta sexta-feira 30, na Bolsa de Valores de São Paulo, levantou 22,689 bilhões de reais, com ágio médio de 133%.

Participaram da disputa quatro consórcios: Aegea, Iguá, Rio Mais Saneamento e Redentor. O Aegea, representado pela corretora Ativa, arrematou dois dos blocos (1 e 4) e o Iguá, representado pela corretora BTG, um bloco (2). Os outros dois consórcios saíram sem qualquer fatia da Cedae.

Veja o resultado final do leilão de concessão da Cedae:

Bloco 1 – arrematado pelo consórcio Aegea por 8,2 bilhões de reais – ágio de 103,13%

Bloco 2 – arrematado pelo consórcio Iguá por 7,286 bilhões de reais – ágio de 129,68%

Bloco 4 – arrematado pelo consórcio Aegea pelo valor de 7,203 bilhões de reais – ágio de 187,75%.

A Cedae constitui o maior projeto de infraestrutura do País, hoje. Os três blocos licitados demandarão investimentos num total de 27 bilhões de reais ao longo de 35 anos contratuais. Boa parte do volume, cerca de 25 bilhões, terá de ser aplicada na universalização dos serviços nos primeiros 12 anos de concessão, e 12 bilhões nos primeiros cinco anos.

Os blocos 1 e 4 foram os mais disputados, tendo de ser decidido no viva voz, em quatro rodadas para o bloco 1 e nove rodadas para o bloco 4.

Como Aegea era o único interessado no bloco 2, e já havia arrematado dois outros, exerceu a opção de retirar a proposta e o bloco 3 foi declarado sem vencedor – frustrando o governo do estado do Rio.

Questionada pelo G1 o que aconteceria se algum dos blocos não recebesse proposta, a Secretaria da Casa Civil respondeu, em nota, que o governo não trabalhava com essa hipótese.

O governador em exercício, Cláudio Castro, declarou que o leilão foi “um importante recado para quem deseja investir no Rio de Janeiro”, ressaltando sua realização na data prevista, em referência às várias tentativas judiciais e legislativas de impedir a licitação.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também exaltou a realização do leilão, afirmando que o resultado demonstra “confiança no Brasil”. “O Brasil vai retomar o crescimento e nós vamos atravessar as duas ondas, a pandemia que está aí e a retomada do crescimento”, disse.

Já o ministro do Desenvolvimento Regional, Paulo Marinho, destacou: “Quem está ganhando aqui hoje são as pessoas mais pobres e mais humildes. A maior tragédia do Brasil é a falta de saneamento básico, a falta de esgoto tratado e a falta de água tratada”.

 

 

Do lado de fora, antes do início do leilão, na entrada do prédio, centenas de manifestantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fizeram o ato contra a política do governo federal frente à pandemia do coronavírus.

A comitiva do presidente Jair Bolsonaro foi recebida por manifestantes em frente ao prédio da B3. Um ovo chegou ser atirado em direção à comitiva e quase acertou a deputada Carla Zambelli (PSL), mas ninguém foi atingido. Terminado o leilão, Bolsonaro saiu pelos fundos do prédio.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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