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Kalashnikov, do fuzil ao carro elétrico

Economia

Do lendário fuzil de assalto AK-47 até o mercado de veículos elétricos, passando por drones e iates, a fabricante russa de armas Kalashnikov atravessa uma transformação sem precedentes em seus 200 anos de história.

A marca acaba de apresentar um pequeno carro elétrico azul pastel, com um design vintage inspirado em um modelo raro da era soviética. O lançamento foi feito em um fórum militar na região de Moscou, onde a novidade roubou a cena com seu veículo “super-elétrico” CV-1. Com o novo modelo, a Kalashnikov quer fazer concorrência à marca americana Tesla.

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A nova invenção do fabricante russo causou espantou, pois ele fez fama como produtora de armas. O nome do inventor do AK-47 – Mikhail Kalashnikov – tornou-se sinônimo de fuzil de assalto em todo o mundo, onde a arma se espalhou e foi usada em inúmeros conflitos e guerras civis.

Hoje, a Kalashnikov produz 95% das armas pequenas russas e exporta para 27 países, enquanto sua famosa arma, que o grupo simplesmente chama de “o maior fuzil do século XX”, está em sua quinta geração.

Reposicionamento da marca

Após a chegada de acionistas privados em 2014, foram apresentados novos modelos (fuzis de assalto, de caça, pistolas) e uma mudança de imagem foi feita com o lançamento de roupas, facas e acessórios. Também foi decidido focar nas exportações, apesar das sanções dos EUA contra a empresa por causa da crise ucraniana. Desde então, bonés, guarda-chuvas e rifles de plástico estão disponíveis nas lojas de lembranças da Kalashnikov.

O resultado dessas mudanças é que a marca anunciou, em janeiro de 2017, um aumento de 30% em sua equipe de trabalho, com 1,7 mil contratações para atender o aumento de suas exportações.

Depois da imposição das sanções, a Kalashnikov transformou sua nova subsidiária nos EUA, originalmente destinada a abrir o mercado americano, em uma empresa separada, a Kalashnikov USA, que fabrica suas próprias armas.

Mercado promissor

Com seus novos modelos de veículos elétricos, a Kalashnikov embarca em um setor promissor, que ainda engatinha na Rússia. Neste verão, o grupo forneceu 30 motocicletas e triciclos elétricos à polícia durante a Copa do Mundo. “No ano que vem, começaremos a vender nossa primeira moto elétrica”, disse Vladimir Dmitriev, CEO interino desde que Alexei Krivoruchko assumiu um cargo no Ministério da Defesa.

“Falamos de eletro-mobilidade porque entendemos que, mais cedo ou mais tarde, o motor irá desaparecer”, disse Olga Boitsova, diretora comercial de produtos civis.

Em 2018-2019, o grupo também deve começar a fornecer motocicletas e carros elétricos para os Emirados Árabes Unidos. Quanto ao protótipo de inspiração vintage, que tem uma autonomia de 350 quilômetros, ele ainda pode ser modificado e ainda não se sabe quando chegará ao mercado.

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