Economia

Inadimplência chega ao maior nível desde julho de 2020

Média de juros cobrados no mercado aumentou. No rotativo do cartão, modalidade mais cara, taxa alcançou 364% ao ano

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
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A taxa de inadimplência do mercado, considerando os recursos livres, chegou em 3,53% em abril deste ano, o maior nível desde julho de 2020, quando estava em 3,57%. As estatísticas foram divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira. Pesquisa divulgada este mês aponta que a quantidade de brasileiros com dívidas atrasadas nunca foi tão alta.

Os dados estão defasados por conta da greve dos servidores do Banco Central, que paralisou as divulgações recorrentes, como o relatório Focus e as notas do setor externo e crédito. A greve foi encerrada no início deste mês.

A trajetória de alta na inadimplência está ocorrendo mês após mês desde julho do ano passado, depois de atingir uma mínima histórica durante a pandemia com as medidas do BC e dos bancos de extensão e renegociação de pagamentos.

Apesar dessa trajetória, a inadimplência continua abaixo do patamar de 4% registrado antes da pandemia.

A elevação foi mais forte entre as pessoas físicas, de 4,4% para 5% de dezembro a abril, mas também subiu para empresas, de 1,5% para 1,7% no mesmo período.

Elevação dos juros

Parte da explicação é pela alta nos juros médios cobrados no mercado. Em abril , a taxa média no sistema financeiro chegou a 38,1% ao ano, alta de 4,3 pontos percentuais (p.p) no ano.

Para pessoas físicas, a alta aconteceu em um patamar maior. A taxa média estava em 45% ao ano em dezembro do ano passado e chegou a 50,3% em abril. Já o crédito para empresas subiu de 19,7% ao ano para 22,4% no mesmo período.

As taxas cobradas no mercado sofrem impacto direto da trajetória de alta na taxa básica de juros, a Selic, que vem subindo desde março de 2021 em uma tentativa do BC de controlar a inflação.

A Selic é utilizada como base para cálculo de outras taxas no mercado e subiu de 2% para 13,25% ao ano, com expectativa de no mínimo mais uma alta na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana.

Cheque especial mais caro

Acompanhando a alta nos juros médios, a modalidade mais cara disponível no mercado, do cartão de crédito rotativo, também subiu no ano. Em dezembro, estava em 347,4% ao ano e subiu para 364% em abril.

A procura por esse tipo de crédito, no entanto, aumentou 59,4% nos primeiros quatro meses deste ano contra o mesmo período do ano passado.

Como exemplo, em abril foram concedidos R$ 26,9 bilhões no cartão de crédito rotativo. Em abril de 2021, o número foi de R$ 17 bilhões.

No caso do cheque especial, que tem um limite estabelecido pelo Banco Central, os juros também subiram. De 127,9% ao ano no final do ano passado para 132,7% em abril.

A modalidade de capital de giro para empresas, muito procurada por dar mais liberdade para os gastos do empréstimo, também ficou mais cara. De 20,7% em dezembro para 22,5% em abril.

Concessões resilientes

Apesar da alta de juros e inadimplência, as concessões de crédito não diminuíram o ritmo neste ano. Segundo as estatísticas do BC, a alta no ano foi de 29,2% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Só em abril foram concedidos R$ 421,1 bilhões em crédito, sendo R$ 222,7 bilhões para pessoas físicas e R$ 198,4 bilhões para empresas.

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