Economia
Inadimplência atinge 63 milhões de brasileiros, mostra pesquisa
Levantamento da SPC Brasil mostra que cada negativado deve, em média, R$ 3.638,22; número de endividados é o maior em oito anos
Um novo levantamento da SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que a inadimplência cresceu 8,70% em apenas um ano ao atingir o patamar de 39,17%. No País, quatro em cada dez adultos estão negativados. Em números absolutos, isso significa que o Brasil fechou o último mês com 63,27 milhões de pessoas com dívidas atrasadas, o pior resultado da série histórica do levantamento, que reúne dados dos últimos oito anos.
Ainda de acordo com os dados do monitoramento, é possível ver que o volume de pessoas endividadas no Brasil cresceu quase 1% em apenas um mês. Na virada de junho para julho, segundo o SPC, o salto no índice foi de 0,96%, rompendo um ciclo de queda que vinha sendo registrado há seis meses.
Vale registrar ainda que, para o próximo mês, a expectativa é de crescimento no número de inadimplentes. A projeção é de José César da Costa, presidente da CNDL, na divulgação dos resultados nesta segunda-feira 22.
“Apesar da retomada do mercado de trabalho ter sido maior que o esperado, não há previsão de diminuição da inflação ou melhoria nas previsões de crescimento da economia do país. O número de inadimplentes está alto e, infelizmente, a expectativa é que não paremos por aí”, avalia.
Perfil dos devedores
Pelos dados do levantamento, é possível traçar um breve perfil dos brasileiros inadimplentes até julho deste ano. Segundo o SPC, mulheres e pessoas da faixa etária de 30 a 39 anos são os que mais acumulam dívidas no País.
Ao todo, 50,84% dos mais de 63 milhões de inadimplentes no País são mulheres e 24,03% são adultos na faixa média de idade. Há ainda 20,97% de brasileiros entre 40 e 49 anos que estão na lista de negativados e outros 19,77% com idade entre 50 e 59 anos.

Em relação ao montante devido, em média, cada brasileiro inadimplente deve 3.638 reais na soma de todas as dívidas. Os débitos, também na média do levantamento, se referem a créditos negativos com 1,93 empresas.
Os dados do levantamento revelam ainda que a maior parte das dívidas são relacionadas aos bancos, que representam mais de 60% de todo o crédito negativo no Brasil. O volume de dívidas no setor é 30,19% maior do que era em julho de 2021.

O comércio, como se vê, é o segundo colocado ao reunir 13,23% da fatia de inadimplência em julho. Apesar disso, o setor teve redução de 16,22% no comparativo anual, segundo a SPC Brasil.
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