Guedes promete que Brasil “vai voltar à tranquilidade muito brevemente”

Depois da tumultuada demissão de Sergio Moro do governo, o ministro da Economia também virou alvo de especulações sobre possível saída

O presidente Jair Bolsonaro acompanhado dos ministros da Defesa e da Economia (Foto: Carolina Antunes/PR)

O presidente Jair Bolsonaro acompanhado dos ministros da Defesa e da Economia (Foto: Carolina Antunes/PR)

Economia

De novo descumprindo recomendação de evitar aglomeração em plena pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro voltou a reunir sua turma na saída do Palácio da Alvorada nesta segunda-feira 27. E de novo para falar sobre economia.

Ao lado do ministro Paulo Guedes, fez questão de dizer que ele “é o homem que decide a economia no Brasil”. Depois da tumultuada demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, Guedes virou alvo de especulações do mercado sobre uma suposta saída.

O ministro prometeu que “o Brasil vai voltar à tranquilidade muito brevemente, muito antes do que todos esperam. Surpreendemos o mundo o ano passado, vamos surpreender o mundo de novo”, disse. Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, o PIB desacelerou e registrou crescimento de 1,1%, abaixo do registrado nos dois anos anteriores (1,3%), quando a economia já tinha andado em marcha lenta. De acordo com o IBGE, o resultado de 2019 equiparou o País ao patamar de 2013, sendo a mais fraca recuperação de recessão já registrada no Brasil. No começo de 2019, a estimativa era de alta de mais de 2% no ano.

Para este ano, a previsão é de retração. Segundo boletim de mercado divulgado nesta segunda-feira 27 pelo Banco Central, o relatório Focus, os economistas de mercado baixaram novamente a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A expectativa de redução passou de 2,96% para 3,34%.

A previsão do mercado para a contração do PIB brasileiro em 2020 ainda está abaixo da divulgada pelo Banco Mundial, que estima um tombo de 5%, e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê queda de 5,3%. Nos últimos meses, tanto o Ministério da Economia quanto o Banco Central revisaram suas estimativas e passaram a prever estabilidade (sem alta, mas também sem contração) do PIB neste ano.

Ainda na coletiva, o ministro mostrou seu incômodo com o programa Pró-Brasil, que prevê a retomada da economia por meio de obras públicas. Anunciado na semana passada, sem a participação de sua equipe, o programa tem colocado integrantes da economia em rota de colisão com a ala política e militar do governo, defensora da proposta. Um dos principais articuladores do plano é o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Após a saída de Moro e a ausência de Guedes em agendas econômicas, se levantou a hipótese de uma possível saída do ministro.

“O programa Pró-Brasil, na verdade, são estudos justamente na área de infraestrutura, de construção civil, são estudos adicionais para ajudar nessa arrancada de crescimento. Isso vai ser feito dentro dos programas de recuperação de estabilidade fiscal nossa”, disse Guedes hoje. “Nós não queremos virar Argentina, nós não queremos virar a Venezuela. Estamos em outro caminho, estamos no caminho da prosperidade, e não no caminho do desespero”, declarou Guedes.

Segundo o ministro, o governo poderá ampliar investimentos próprios em infraestrutura, mas sem criar grandes planos de desenvolvimento, a exemplo dos criados em governos anteriores. “O Tesouro não investe, o Tesouro é o caixa. Quem investe é o governo, se decidir. E o governo, sim, aumenta investimentos em infraestrutura. Acabamos de conversar com ministro Tarcísio, não tem problema nenhum. O que não podemos fazer é justamento planos nacionais de desenvolvimento, como era antigamente, porque a nossa direção é outra. O excesso de gastos de governo corrompeu a democracia brasileira, estagnou a economia brasileira”, afirmou.

Guedes ainda descartou a necessidade de rever o teto de gastos, regra da Constituição que impede que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação. “Se faltasse dinheiro para saúde, nós até poderíamos romper (o teto), mas não é o caso. Tudo que os governadores pediram, levaram. […] Para que falar em derrubar o teto se é o teto que nos protege contra a tempestade”, afirmou.

O ministro da Economia ainda citou que, esta semana, deverá ser anunciado um programa para descentralizar recursos a estados e municípios, com contrapartidas. Um exemplo seria o de não conceder reajustes a servidores públicos a fim de auxiliar no esforço para enfrentar a crise. Guedes descartou a possibilidade de reduzir salários, mas pediu um sacrifício pelo País.

“Precisamos também que o funcionalismo público mostre que está com o Brasil, que vai fazer um sacrifício pelo Brasil, que vai ficar em casa trancado com geladeira cheia e assistindo a crise enquanto milhões de brasileiros estão perdendo emprego. Não, eles vão colaborar. Eles vão também ficar sem pedir aumento por algum tempo. Ninguém vai tirar. E o presidente disse ‘ninguém tira direito, ninguém tira salário, ninguém encosta em nenhum direito que existe hoje’”, afirmou Guedes.

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