Economia
Grupo Fictor pede recuperação judicial após crise de liquidez ligada ao Banco Master
Pedido envolve dívidas de cerca de R$ 4 bilhões e é atribuído pelo grupo à repercussão negativa após a tentativa frustrada de compra do banco comandado por Daniel Vorcaro
O Grupo Fictor entrou, no domingo 1º, com um pedido de recuperação judicial para reorganizar suas finanças e garantir o pagamento de compromissos que somam aproximadamente 4 bilhões de reais. Segundo a empresa, o objetivo é “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, preservando a continuidade das atividades.
Em comunicado ao mercado, o grupo afirmou que pretende quitar as dívidas “sem nenhum deságio” e solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios judiciais por um período inicial de 180 dias. “A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, informou a Fictor.
A empresa relaciona a deterioração da liquidez ao impacto reputacional causado pelo caso do Banco Master. Em 17 de novembro de 2025, um consórcio liderado por um dos sócios do Grupo Fictor anunciou uma proposta para adquirir a instituição financeira. No dia seguinte, porém, o Banco Central decretou a liquidação do banco comandado por Daniel Vorcaro, o que levou à suspensão da operação.
De acordo com a Fictor, o episódio gerou forte reação negativa no mercado. “Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz o comunicado.
O grupo afirma que, até então, não havia histórico de inadimplência. “Importante ressaltar que desde que a Fictor iniciou operações não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza”, destacou a empresa. Ainda segundo a nota, medidas de reestruturação já vinham sendo adotadas antes do pedido de recuperação, como a redução da estrutura física e do quadro de funcionários. “Esse movimento foi feito para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, afirmou.
No pedido apresentado à Justiça, a Fictor ressaltou que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias do conglomerado, que atuam nos setores de alimentos, energia, infraestrutura e serviços financeiros. “O objetivo é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo recuperacional”, informou o grupo.
A companhia também afirmou que, durante o período de proteção judicial, pretende negociar um plano de recuperação com novos prazos e condições de pagamento. “Nesse período, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, sem interromper as operações”, diz o comunicado.
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