Economia
Governo Trump volta a reclamar do Pix e até da Rua 25 de Março
Relatório sobre supostas barreiras comerciais dedica uma seção ao Brasil
Um documento publicado nesta terça-feira 31 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, uma agência do governo de Donald Trump, reforça críticas a um suposto protecionismo da economia brasileira que atrapalharia empresas e investidores norte-americanos.
O Relatório de Estimativa Nacional do Comércio de 2026 sobre Barreiras ao Comércio Exterior tem 534 páginas, das quais dedica oito ao Brasil. Leia a íntegra, em inglês.
Segundo o USTR — sigla em inglês da agência —, o Brasil impõe tarifas relativamente altas sobre importações em uma ampla variedade de setores, incluindo automóveis, tecnologia da informação, eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço e têxteis.
A alegação é que os exportadores dos Estados Unidos têm de lidar com incertezas no mercado brasileiro porque o governo altera taxas tarifárias em linha com a flexibilidade do Mercosul.
No caso do Brasil, um dos focos do USTR, chefiado atualmente por Jamieson Greer, é monitorar políticas de propriedade intelectual e as barreiras tarifárias. Informações da agência podem servir de subsídio para decisões de política econômica de Trump.
O documento publicado nesta terça-feira critica impostos sobre obras audiovisuais estrangeiras e diz que, apesar de uma evolução nos últimos anos, permanecem os desafios de fiscalização contra a pirataria, “incluindo a ausência de penalidades com nível dissuasório e altos níveis de falsificação online e em mercados físicos”.
Neste ponto, a agência menciona a Rua 25 de Março, em São Paulo, um dos pontos de comércio mais tradicionais da capital paulista. A área, de acordo com o USTR, aparece na Revisão de Mercados Notórios por Falsificação e Pirataria de 2025 devido à venda de mercadorias falsas.
Também afirma que punições mais significativas e maior ênfase na fiscalização da tríplice fronteira Argentina-Brasil-Paraguai seriam fundamentais para avançar nessa seara.
Conforme apontou CartaCapital, porém, basta uma caminhada por Manhattan, em Nova York, para testemunhar uma realidade que o governo Trump prefere não mencionar ao criticar o comércio na 25 de Março. O Canal Street, em Chinatown — rua conhecida como um dos maiores centros de comércio informal dos Estados Unidos —, tem barracas improvisadas e vendedores ambulantes oferecendo bolsas Louis Vuitton, carteiras Gucci, mochilas Prada, relógios Rolex, óculos de sol Ray-Ban e acessórios da Apple, mas tudo falsificado e vendido por uma fração do preço original.
O novo documento do USTR ainda reservou críticas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. Para o escritório, há preocupação nos Estados Unidos com um “tratamento preferencial” por parte do Banco Central ao Pix, o que desfavorece fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico. “O BC torna obrigatório o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas”, lamenta a agência.
A Estimativa Nacional de Comércio é um relatório anual publicado pelo USTR para detalhar supostas barreiras a exportações de bens e serviços norte-americanos, além de investimentos e comércio digital.
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