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Política econômica

Governo anuncia mudanças na poupança e pressiona juros de bancos privados

por Redação Carta Capital — publicado 03/05/2012 19h27, última modificação 06/06/2015 18h59
Ação do governo evita a debandada para as cadernetas, que ficaram muito mais atrativas que o rendimento; para economista da FEA, governo age corretamente e deve passar a discutir a questão dos impostos
guido mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega. Foto: Agência Brasil

A guinada do governo Dilma Rousseff para baixar os juros do País teve novo capítulo nesta quinta-feira 3. O ministro Guido Mantega anunciou novos critérios para a valorização da poupança, grande beneficiária da queda dos juros neste momento.

Esta é a regra: quando a taxa Selic estiver igual ou menor que 8,5%, o rendimento para os depósitos feitos passarão a ter remuneração de 70% da Selic, mais a taxa referencial (TR) variável. Quando a mesma taxa estiver acima deste valor (hoje está em 9%), o critério para depósito permanece o mesmo: rendimento de 0.5% ao mês, mais a TR.

A mudança só valerá para os depósitos feitos a partir desta sexta-feira 4 - ou seja, os 150 milhões de depósitos deste rendimento feitos até esta quinta permanecerão com as mesmas regras. A poupança também seguirá isenta do imposto de renda.

A medida faz parte do pacote de mudanças que o Ministério da Fazenda patrocina para baixar a taxa Selic, atualmente em 9% ao ano. Com os juros baixando, a poupança passou a ser mais atrativa que a renda fixa. Com os novos critérios, o governo assim evita uma fuga em massa para este investimento e a consequente dificuldade para a "rolagem" da dívida pública.

"Essa foi a única regra que mudou. A poupança vai continuar sendo a melhor opção para a maioria dos brasileiros.", disse o ministro Guido Mantega, ao anunciar a mudança na noite desta quinta.

A presidenta Dilma Rousseff fará a mudança através de medida provisória que, no entanto, deve ser aprovada pelo Congresso Nacional. Ela passou a tarde reunida com líderes dos partidos para que a votação seja feita sem maiores traumas.

Equilíbrio econômico

Segundo o economista da FEA-USP de Ribeirão Preto (SP) Alberto Borges Matias, a estratégia mostra uma tendência do governo em tentar equilibrar a dinâmica econômica do País. "É necessário garantir o rendimento dos investidores tradicionais, sobretudo os de menor renda. A poupança é voltada para estes aplicadores e, nesse novo formato, isso será mantido", afirma. "Esse modelo precisa ser implementado porque quando o governo está com juro baixo, a poupança concorrer com os títulos públicos. Aí as carteiras de poupança ficarão insustentáveis, criando um grande problema no crédito imobiliário."

A estratégia do governo federal foi fazer com que bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, baixem os juros nas últimas semanas. A presidenta Dilma, em pronunciamento na tevê no 1º de maio, . Nesta quinta, durante seu pronunciamento na posse do novo ministro do Trabalho, Bizola Neto, a presidenta declarou que seguirá com ações para ter juros mais baixos. "Quero um país com taxas de juros compatíveis com aquelas que existem no mercado internacional."

"Com os juros caindo, as instituições financeiras perdem na tesouraria. Vão ter que correr para baixar os juros também, ou acabam perdendo mercado para os bancos públicos", diz Matias.

Dilma também sinalizou que passará a atacar os impostos. Queremos que o País tenha impostos mais baixos, para segurar a produtividade", declarou a presidenta na solenidade. Matias endossa que a discussão econômica nacional deva começar a migrar para este assunto. "O problema maior para mexer nos impostos era a questão da Selic e o governo agiu nesta direção. Estamos falando em um governo que gasta 200 bilhões de juros. Com a diminuição, o Brasil tende a reduzir os impostos".

Para Alberto Matias, as instituições financeiras perdem na tesouraria, então se não correrem, acabam perdendo mercado pros bancos públicos.

 

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