Economia

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Empecilho ao crescimento

A meta de inflação de 3% ao ano não tem base na economia e impõe elevados sacrifícios ao País

Descompasso. Em vez de tentar acalmar o mercado, Campos Neto empenha-se em assustá-lo ainda mais. Haddad tem razão ao dizer que a atual regra é “exigentíssima” – Imagem: Hully Paiva/SMCS/Prefeitura de Curitiba, Ricardo Stuckert/PR e Edilson Rodrigues/Ag. Senado
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Não bastasse a manipulação escabrosa das projeções de inflação elaboradas pelas instituições financeiras, sob supervisão do Banco Central, com ganhos fabulosos para especuladores e rentistas e perdas monumentais para as políticas públicas e a maioria da população, constata-se agora que até mesmo a base utilizada para essas manobras, a meta de inflação anual de 3%, fixada para 2024 e 2025 pelo Comitê de Política Monetária, é inexequível, alertam economistas. O irrealismo da meta impõe um sacrifício brutal para a economia e a sociedade, como se verá adiante.

A manipulação da Pesquisa Focus, denunciada por Eduardo Moreira, do Instituto Conhecimento Liberta, consiste na projeção arbitrária da taxa de inflação para 8% ao ano entre 2025 e 2028, pelos participantes anônimos da Pesquisa ­Focus, do Banco Central, sem qualquer base econômica defensável para isso. O exagero coincide com o pronunciamento extraoficial do presidente do BC, Roberto Campos Neto, em evento da XP em Nova York, sobre a tendência de desacelerar o ritmo da diminuição da taxa Selic a cada reunião do Copom, antes definido em 0,50 ponto porcentual, para 0,25. Há quem considere a fala de Campos Neto como uma espécie de senha preparatória de terreno para o Copom alçar novo patamar de juros, mesmo com o IPCA em tendência de baixa.

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