Economia

Desfalcado, Copom reduz Selic para 14,5%, a 2ª maior taxa real do mundo

A terceira reunião de 2026 ocorreu com o Comitê de Política Monetária com três cadeiras vagas

Desfalcado, Copom reduz Selic para 14,5%, a 2ª maior taxa real do mundo
Desfalcado, Copom reduz Selic para 14,5%, a 2ª maior taxa real do mundo
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira 29, por seis votos a zero, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,5% ao ano. Trata-se da segunda queda consecutiva.

Mesmo assim, o Brasil termina esta quarta-feira com a segunda maior taxa real de juros no mundo, de acordo com um monitoramento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence. Para calcular o índice real, leva-se em conta a taxa “a mercado” — um referencial do que seriam juros tomados em uma operação real — e a inflação projetada para os 12 meses seguintes.

O País tem uma taxa real de 9,18%, atrás apenas da Rússia (em guerra), com 9,57%. Completam o top cinco México, com 5,09%; África do Sul, com 4,71%; e Indonésia, com 3,31%.

Boletim Focus da última segunda-feira 27, publicado pelo BC após ouvir instituições financeiras, indica que a estimativa de inflação para o fim de 2026 é de 4,86%.

O Copom não indicou com clareza a tendência para a próxima reunião, marcada para 16 e 17 de junho.  “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.”

Ao justificar a decisão desta quarta, o colegiado ressaltou a incerteza no ambiente externo, devido à indefinição sobre a duração, a extensão e os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio. Esse quadro, ponderou, exige cautela por parte de países emergentes, em meio ao aumento na volatilidade dos preços de ativos e commodities.

Já no front doméstico, diz o Copom, permanece uma trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, mas o mercado de trabalho “ainda mostra sinais de resiliência”.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação”, sustenta o Comitê. A meta de inflação é de 3% ao ano, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Quando o Copom decide aumentar a Selic ou mantê-la em níveis altos, o objetivo é desaquecer a demanda para, em tese, conter a inflação: os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, razão pela qual também dificultam a expansão da economia.

Ao diminuir a taxa, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

A terceira reunião de 2026 ocorreu com o Comitê desfalcado de três diretores, uma vez que terminaram em 31 de dezembro os mandatos de Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica. Além deles, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participou do encontro, devido à morte de uma familiar.

Cabe ao presidente Lula (PT) indicar e ao Senado aprovar os dois substitutos — o petista, porém, ainda não encaminhou ao Legislativo suas escolhas.

Os sete atuais integrantes do Copom foram nomeados por Lula — Gomes e Guillen eram os últimos remanescentes do governo de Jair Bolsonaro (PL). Veja a composição neste momento:

  • Nilton David
  • Ailton Aquino
  • Paulo Picchetti
  • Rodrigo Teixeira
  • Izabela Correa
  • Gilneu Vivan
  • Gabriel Galípolo

Saiba quando serão as próximas reuniões do Copom em 2026:

  • 16 e 17 junho
  • 4 e 5 de agosto
  • 15 e 16 de setembro
  • 3 e 4 de novembro
  • 8 e 9 de dezembro

Confira os resultados de todos os encontros do Comitê desde o início do ano passado:

  • janeiro: de 12,25% para 13,25%;
  • março: de 13,25% para 14,25%;
  • maio: de 14,25% para 14,75%;
  • junho: de 14,75% para 15%;
  • julho: manutenção em 15%;
  • setembro: manutenção em 15%;
  • novembro: manutenção em 15%;
  • dezembro: manutenção em 15%;
  • janeiro de 2026: manutenção em 15%; e
  • março: de 15% para 14,75%.

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