Debandada no Ministério da Economia amplia queda na bolsa de valores

Troca de secretários sinaliza que o ministro Paulo Guedes está fraco, segundo analistas do mercado

O ministro da Economia ´Paulo Guedes (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O ministro da Economia ´Paulo Guedes (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Economia

A saída do secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, do Ministério da Economia, acompanhado de vários outros integrantes da Pasta pesou na bolsa de valores, que já operava em baixa seguindo a tendência dos mercados internacionais.

A demissão de Waldery teria sido motivada pelo imbróglio do Orçamento. Waldery era estritamente técnico (chegou a propor congelamento das aposentadorias para abastecer o programa Renda Brasil, a versão bolsonarista do Bolsa Família e tomou um cartão amarelo do próprio presidente Jair Bolsonaro). Nas discussões com os parlamentares sobre as emendas que desfiguraram o projeto orçamentário do governo, ele foi um defensor férreo do ajuste fiscal.

Comenta-se que o ministro da Economia, Paulo Guedes, teria sacrificado Waldery e outros integrantes da sua equipe a fim de preservar o superministério da Economia de um esquartejamento desejado pelo Centrão. A leitura do mercado é que Paulo Guedes está fraco. “Isto não tem dúvida”, disse uma fonte com interlocução nos corredores de Brasília.

O jornal O Estado de S. Paulo noticia a saída do secretário de Orçamento Federal, George Soares; a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos, Martha Seilier; a secretária adjunta de Comércio Exterior, Yana Dumaresq. Para os analistas e operadores do mercado, as trocas no ME podem gerar ainda mais atrasos nas pautas de reformas, segundo a economista da Toro Investimentos, Thayná Vieira.

A bolsa, que já abrira em baixa hoje seguindo a tendência internacional, caiu mais ainda à tarde, 0,99% próximo ao fechamento, com o índice, que estava no patamar de 120 mil pontos, recuando para os 119 mil. Só não caiu mais em boa parte por causa do desempenho das ações da Vale, que subiam 1,75% pela divulgação do superlucro de US$ 5,546 bilhões no primeiro trimestre de 2021, uma alta de 2.220% em relação ao resultado de US$ 239 milhões obtido no mesmo período do ano passado, graças à fome do mundo por minério de ferro, contrabalançando a queda de 248% de Petrobras, que já foi alvo de interferência do presidente Bolsonaro que trocou o presidente da estatal, o economista Roberto Castello Branco, por um general, Joaquim Silva e Luna.

O dólar, como tem acontecido, seguiu rumo contrário ao da bolsa. Seguindo o exterior, a moeda americana estava fechando o dia de hoje a 5,461, com alta de 0,23%.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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