Economia
Copom abre 2026 mantendo a Selic em 15%, a 2ª maior taxa real do mundo
A decisão do colegiado, desfalcado de dois diretores, foi unânime. É o índice mais alto desde 2006
O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira 28, por unanimidade e pela quinta vez seguida, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. É o nível mais alto da Selic desde julho de 2006 e a segunda maior taxa real de juros no mundo, de acordo com um monitoramento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence.
Os diretores sinalizaram, porém, que podem reduzir a taxa básica de juros na sua próxima reunião, em 17 e 18 de março.
Para calcular o índice real, leva-se em conta a taxa de juros “a mercado” — um referencial do que seriam juros tomados em uma operação real — e a inflação projetada para os 12 meses seguintes.
O Brasil tem uma taxa real de 9,23%, atrás apenas da Rússia, com 9,88%. Completam o top cinco Argentina, com 7,63%; Turquia, com 6,45%; e México, com 5,39%. O menor índice é o do Japão, de -1,18%.
Ao anunciar a decisão desta quarta-feira, o BC afirmou haver “elevada incerteza” no atual cenário, o que exigiria cautela na condução da política monetária. Disse também que a estratégia em curso é adequada para levar a inflação de volta à meta.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado divulgado.
Segundo o Copom, o compromisso com a meta de inflação “impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
No cenário externo, diz a nota, a incerteza resulta da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, o que demanda cautela por parte de países emergentes. Já no front doméstico, de acordo com o Comitê, há uma moderação no crescimento da atividade econômica, mas o mercado de trabalho “ainda mostra sinais de resiliência”.
O Boletim Focus da última segunda-feira 26, publicado pelo BC após ouvir instituições financeiras, aponta que a estimativa de inflação para 2025 recuou de 4,02% para 4%. A meta é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (4,5%) ou para baixo (1,5%).
Horas antes de o Copom anunciar o resultado da reunião, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), havia defendido o início de um ciclo de corte nos juros. “Acho um absurdo o juro continuar nesse patamar”, afirmou, em café da manhã com jornalistas. “Isso tem um efeito direto: o aumento da dívida pública brasileira. E, ao mesmo tempo, há gente defendendo corte de pessoal para reduzir a relação dívida/PIB.”
Quando o Copom decide aumentar a Selic ou mantê-la em níveis elevados, o objetivo é desaquecer a demanda para, em tese, conter a inflação: os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, razão pela qual também dificultam a expansão da economia.
Ao reduzir a taxa, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
A primeira reunião de 2026 ocorreu com o Comitê desfalcado de dois diretores, uma vez que se encerraram em 31 de dezembro os mandatos de Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica.
Cabe ao presidente Lula (PT) indicar e ao Senado aprovar os dois substitutos — o petista, porém, ainda não encaminhou ao Legislativo suas escolhas.
Os sete atuais integrantes do Copom foram nomeados por Lula — Gomes e Guillen eram os últimos remanescentes do governo de Jair Bolsonaro (PL). Veja a atual composição:
- Nilton David
- Ailton Aquino
- Paulo Picchetti
- Rodrigo Teixeira
- Izabela Correa
- Gilneu Vivan
- Gabriel Galípolo
Saiba quando serão as próximas reuniões do Copom:
- 17 e 18 de março
- 28 e 29 de abril
- 16 e 17 junho
- 4 e 5 de agosto
- 15 e 16 de setembro
- 3 e 4 de novembro
- 8 e 9 de dezembro
Confira os resultados de todos os encontros do Comitê desde o início do ano passado:
- janeiro: de 12,25% para 13,25%;
- março: de 13,25% para 14,25%;
- maio: de 14,25% para 14,75%;
- junho: de 14,75% para 15%;
- julho: manutenção em 15%;
- setembro: manutenção em 15%;
- novembro: manutenção em 15%; e
- dezembro: manutenção em 15%.
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