Economia

Contratação de empréstimos entre apostadores de bets quase dobrou durante a Copa do Mundo

As casas de apostas não são opção de investimento, alerta estudo da Klavi. Para quase metade dos apostadores, nenhum dinheiro retornou à conta bancária

Contratação de empréstimos entre apostadores de bets quase dobrou durante a Copa do Mundo
Contratação de empréstimos entre apostadores de bets quase dobrou durante a Copa do Mundo
Bets na Copa: a frequência de empréstimos entre apostadores quase dobrou em relação a não apostadores durante o Mundial, diz novo relatório (Foto: Nicolas Tucat/AFP)
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Um novo estudo conduzido pela fintech Klavi revela que a frequência de empréstimos tomados por apostadores foi 1,8 vez maior do que a de um não apostador durante a Copa do Mundo. O relatório, que monitora o fluxo de saldo enviado a casas de apostas, leva em conta transações realizadas entre os dias 11 de junho a 19 de julho, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Em três de cada quatro casos, a aposta precedeu o empréstimo por uma mediana de sete dias. Klavi lembra, porém, que “saber qual evento veio primeiro não é o mesmo que provar que ele causou o segundo”, o resultado total pode ser influenciado por outros fatores de endividamento.

Apesar disso, o relatório analisa ainda que a presença do crédito cresceu conforme o volume de apostas dos usuários: há indícios, portanto, de que o montante total enviado a bets durante a Copa —  de pelo menos 992 milhões de reais, conforme dados da Klavi — dependeu do endividamento sistemático dos brasileiros.

A empresa coletou os dados do estudo através da tecnologia Open Finance, que permite que instituições financeiras acessem — de forma consensual — o extrato completo de seus clientes entre diversas contas bancárias, a fim de direcionar ofertas de produtos financeiros. A análise da amostra de 1,2 milhão de usuários, de forma anonimizada e normalizada, permitiu refletir o perfil da população brasileira e observar especificamente o saldo enviado entre a conta e a carteira de apostas e o fluxo líquido agregado ao longo de todo o período.

“Investimento” de risco

A tomada de empréstimos ou uso de crédito não reflete em resultados positivos, explica a fintech. Cerca de quatro em cada cinco apostadores registraram fluxo líquido negativo durante o período, ou seja, o saldo recebido das casas de apostas foi menor do que o apostado. Para quase metade dos apostadores, nenhum dinheiro retornou à conta bancária, 46,8% da amostra analisada.

Assim como o ‘Placar das Bets’, estudo original que permitiu a análise aprofundada do perfil dos apostadores, a Klavi analisa apenas o fluxo enviado às casas de apostas licenciadas. À época, foram mapeadas 104 casas de apostas que recebiam transações dos usuários.

O CEO da Klavi, Bruno Chan, afirma que é possível observar o cenário das apostas respingando nos hábitos de consumo dos brasileiros. “Quando as apostas passam a ocupar parte desse orçamento, recursos que poderiam ser destinados ao consumo ou a outras necessidades ficam comprometidos”, afirma a CartaCapital.

Chan ainda ressalta que, quando o retorno esperado não acontece, o empréstimo pode aparecer como uma alternativa para fazer a “conta fechar”, o que só aprofunda o ciclo de dívidas e provoca a redução do mercado de bens de consumo. “Nesse processo, compromete-se não apenas a renda presente, mas também parte da renda futura, reduzindo o espaço para o consumo em outras categorias”, explica.

Bruno Chan finaliza explicando que “analisar conjuntamente apostas, crédito e consumo permite enxergar um efeito econômico mais amplo”. O CEO reforça a importância de compreender o comportamento financeiro do consumidor “de forma completa”, cruzando os dados que podem medir o impacto das apostas no endividamento e redução do consumo da população.

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