Economia

Congresso mexeu na balança ‘para menos’, diz Tebet após TCU apontar receitas superestimadas

A ministra do Planejamento e Orçamento afirmou que checará medidas de arrecadação aprovadas para 2024

Congresso mexeu na balança ‘para menos’, diz Tebet após TCU apontar receitas superestimadas
Congresso mexeu na balança ‘para menos’, diz Tebet após TCU apontar receitas superestimadas
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Foto: Washington Costa/MPO
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A ministra do Planejamento e do Orçamento, Simone Tebet (MDB), afirmou, nesta quinta-feira 18, que o governo checará as medidas de arrecadação previstas para 2024, após o Tribunal de Contas da União apontar receitas “superestimadas”. Segundo ela, o Congresso Nacional mexeu nas arrecadações “para menos”.

Na quarta-feira 17, o TCU indicou um déficit primário de 55,3 bilhões de reais neste ano. Se atingido, o valor contrariará a meta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), de zerar o déficit fiscal.

Haddad usou a meta zero em 2024 como argumento para convencer o Congresso a aprovar projetos que previam a aplicação de mais impostos. Com as novas fontes de arrecadação, o governo compensaria os gastos públicos e chegaria ao déficit zero, que representaria o equilíbrio entre receitas e despesas.

Diante da expectativa negativa do TCU, Tebet alegou que o Congresso não aprovou as propostas do governo na íntegra e que, até o momento em que havia sido apresentado, o Orçamento era “plausível”.

“O Ministério do Planejamento e Orçamento recebe do Ministério da Fazenda as receitas previstas. Nós checamos e entendemos que era razoável aquilo que foi apresentado e constou no Orçamento”, declarou.

“No que se refere àquilo que foi apresentado até 31 de julho para nós e que consta no Orçamento, o Ministério do Orçamento checou uma a uma as receitas pelo Ministério da Fazenda e vimos que era plausível. Agora é o ano de executar.”

“Nós ainda não fechamos para balanço. Agora é hora de fazer o levantamento de todas as medidas que foram aprovadas pelo Congresso Nacional e que foram enviadas pelo Executivo. Nós sabemos que não foram aprovadas na inteireza, do jeito que nós queríamos. Mas isso faz parte da democracia”, continuou.

Segundo a ministra, as alterações dos parlamentares nos projetos do governo reduziram a arrecadação.

“Quando essa estimativa de receita foi entregue, estávamos diante de votações no Congresso que não haviam sido encerradas, a exemplo da desoneração e de outras medidas que foram aprovadas, mas com algumas alterações”, prosseguiu. “Toda vez que o Congresso faz alteração, ele mexe nessa balança, para mais ou para menos. No caso, mexeu para menos no que se refere à arrecadação.”

A ministra informou também que tem um prazo até 22 de janeiro para encaminhar possível veto a Lei Orçamentária Anual aprovada pelo Congresso e que a análise ainda não foi concluída.

Para o TCU, a metodologia utilizada pelo Poder Executivo para estimar cada uma das novas receitas não foi apresentada no projeto da LOA. O relator do processo é o ministro Jhonathan de Jesus. O parecer foi encaminhado à Fazenda e à Comissão Mista de Orçamento.

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