Economia

CNI classifica corte na taxa básica de juros como insuficiente

‘Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto’, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban

CNI classifica corte na taxa básica de juros como insuficiente
CNI classifica corte na taxa básica de juros como insuficiente
A Confederação Nacional da Indústria. Foto: CNI/Reprodução
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Pela quarta vez consecutiva, o Conselho de Política Monetária do Banco Central anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano. O novo recuo, decidido de forma unânime, consolidou um dos ciclos mais suaves de queda promovidos pelo BC desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999.

No comunicado à imprensa, o colegiado não antecipou seus próximos passos e voltou a dizer que o tamanho total do ciclo será estabelecido “à luz de novas informações”, diante dos riscos associados à evolução dos preços. “O comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Na avaliação da Confederação Nacional da Indústria, o Copom certou ao reduzir a taxa Selic, mas o corte não é suficiente para aliviar os desafios do setor produtivo. “Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban, lembrando que o atual patamar compromete a renda das famílias.

O tom foi o mesmo adotado pela Federação das Indústrias de São Paulo, a Fiesp. Em nota, a entidade alertou para os “efeitos em cascata que a permanência dos juros em patamar tão elevado, durante tanto tempo, exerce sobre o setor produtivo, as famílias e o próprio Estado”. O comunicado ainda pontua que o custo do crédito está “sufocando o fluxo de caixa das empresas, travando investimentos em inovação e modernização e agravando o ciclo de endividamento”, além de criticar o que chamou de “gastança desmedida do governo” Lula.

Horas antes da decisão do Copom, o petista havia dito que é preciso “resolver a taxa de juros”. “Temos que cuidar para que, do ponto de vista econômico, a gente tenha bastante seriedade fiscal para não gastar aquilo que a gente não tem e, ao mesmo tempo, trabalhar para reduzir a taxa de juros”, disse Lula aos podcasts Meteoro Brasil e Os 3 Elementos.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais afirmou considerar que o corte ainda é insuficiente para mitigar os impactos prolongados dos juros elevados sobre a atividade produtiva, os investimentos e a geração de empregos. “A estabilidade de preços é indispensável para o crescimento sustentável da economia. O processo precisa ocorrer com menor custo para a produção, os investimentos e o emprego, o que exige maior coordenação entre as políticas monetária e fiscal”, afirmou o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio.

Por sua vez, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) declarou que o recuo é um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa “mantém o crédito caro e restringe os investimentos e a expansão do setor industrial”. A entidade ainda disse que a redução anunciada pelo Copom é insuficiente para “alterar de forma consistente o quadro de restrição enfrentado pela indústria”.

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