Economia

China x EUA: guerra comercial de longo prazo é desafio para investidor

As duas potências econômicas voltam à mesa de negociação, após novas ameaças de retaliações de ambos os lados

(Foto: Johannes Gisele/AFP)
(Foto: Johannes Gisele/AFP)

Negociadores da China e dos EUA devem se reunir na quinta-feira 9 e sexta-feira 10, em Washington, para mais uma rodada de negociações. A guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo dura mais de um ano e impôs mais de 360 bilhões de dólares em tarifas sobre bens que circulam entre os dois países.

A China chegou a considerar a ida do vice-primeiro ministro chinês, Liu He, para a capital norte-americana. Ele é o principal negociador chinês e lidera uma grande delegação para esta que era considerada como a última rodada de negociações antes de um acordo entre China e Estados Unidos.

No domingo 5, pelas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aumentar de 10% a 25% as tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses. O novo pacote entra em vigor na sexta-feira 10, mas os americanos sinalizaram que a medida pode ser descartada “se as negociações voltarem aos trilhos”. Em fevereiro, Trump voltou atrás sobre a aplicação de um pacote semelhante contra a China.

O anúncio fez com que Bolsas de Valores fechassem em queda no início da semana. A perspectiva de uma guerra comercial de longo prazo é um desafio para investidores e pode levar Pequim a tomar decisões difíceis, diante da desaceleração da economia do país.

Mudanças em pouco tempo

O posicionamento dos EUA no fim de abril era de que as negociações tinham entrado em fase final para um esperado acordo para recalibrar a relação econômica. As especulações de que de fato um acerto estaria próximo ganharam força depois da visita do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, e do representante de Comércio americano, Robert Lighthizer, a Pequim. O recente anúncio de novas taxas parece, no entanto, ter esfriado o clima. O gesto gerou incerteza e foi classificado por analistas na imprensa chinesa como contra produtivo.

Os chineses criticam os ruídos nas mensagens da administração norte-americana. Mensagens conflitantes têm sido interpretadas como um descompasso entre a visão de Trump e a de seus analistas sobre como lidar com Pequim e quais as condições para um acordo.

 

Um compromisso que agora parece que vai levar mais tempo para ser alcançado. Há sinais de que a China está preparando uma visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos em junho e que nessa ocasião um possível acordo seria assinado.

Liu He é esperado em Washington liderando uma grande delegação, mas encurtou a visita, vai chegar no dia em que o encontro acontece e ficar apenas dois dias em solo americano. Na segunda-feira 6, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, colocou panos quentes dizendo que os Estados Unidos já ameaçaram elevar tarifas outras vezes e confirmou a visita.

Trump quer se meter no Mar da China (Foto: Brendan Smialowski/AFP)

Guerras em outras frentes

Está em curso uma complexa disputa entre os dois países no setor de tecnologia, que envolve retaliações jurídicas, lobby, espionagem industrial e até prisões, em uma batalha por controle de mercado e influência global. O acerto de contas entre os as duas maiores potências mundiais ultrapassa a esfera comercial. Mesmo o intercâmbio de acadêmicos e estudantes já foi afetado.

Em meio aos preparativos para essa nova rodada de negociações, os Estados Unidos estão conduzindo uma nova operação de “liberdade de navegação”, no Mar do sul da China, onde o gigante asiático está envolvido em disputas territoriais. A presença de embarcações militares norte-americanas na região sempre desagrada Pequim e gera atrito.

A reação da diplomacia chinesa foi imediata. A China reforçou que os Estados Unidos devem parar com ações provocativas e que os navios americanos na região violam a soberania chinesa e prejudicam a paz e a estabilidade.

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