Bye, bye Brasil: cimenteira LafargeHolcim segue exemplo da Ford

Empresa desiste do País justamente no momento em que a construção civil se destaca como um dos poucos setores a prosperar na pandemia

A suíça LafargeHolcim é a terceira maior cimenteira no mercado brasileiro (Foto: iStock)

A suíça LafargeHolcim é a terceira maior cimenteira no mercado brasileiro (Foto: iStock)

Economia

Depois da Ford, da Mercedes e da Sony, mais uma empresa estrangeira resolve deixar o Brasil. Agora é a vez da terceira maior produtora de cimento no país, a suíça LafargeHolcim. A notícia foi transmitida pela agência Bloomberg e não foi nem confirmada nem desmentida pela empresa, tampouco pelo banco de investimentos ItaúBBA, contratado pela LafargeHolcim para encontrar comprador para seus ativos no Brasil.

A saída deve ser complicada por causa da posição dominante da cimenteira no mercado brasileiro, atrás apenas da Votorantim e da Intercement. Devido a essa concentração e poder de mercado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode, eventualmente, questionar a venda dos ativos se algum dos outros grupos dominantes se interessar. Além das três maiores, o mercado brasileiro de cimento é formado por empresas bem menores, o que permitiria a venda dos ativos da LafargeHolcim a esses concorrentes. O problema é que as cimenteiras menores não têm lastro financeiro para bancar uma operação de tal vulto. 

O grupo franco-suíço conta, no País, com 10 unidades industriais e 1,4 mil funcionários, além de centros de distribuição, terminais de mistura e algumas unidades de mineração.  Mundialmente, a cimenteira que resultou da fusão, em 2014, da Lafarge com a Holcim, está presente em 80 países, onde emprega 90 mil funcionários. No Brasil, suas operações estão distribuídas em três das cinco regiões: Sudeste (SP, RJ, MG e ES), Nordeste (BA, PE, PB e RN) e Centro-Oeste (GO). 

Assim, poderia, em tese, vender os ativos separadamente, por região ou por estado para atender a um eventual questionamento do CADE. No entanto, segundo apurou o jornal Valor Econômico, a preferência do grupo é vender o total das operações, a fim de concentrar-se em países com moeda forte e maior rentabilidade, o que não é o caso do Brasil.

Ela é a segunda cimenteira estrangeira que deixa o Brasil em menos de um ano: no final de 2020, a irlandesa CRH vendeu operações para a Cia. Nacional de Cimento, controlada pela italiana Buzzi e a brasileira Brennand. 

As duas desistiram do Brasil justamente num momento em que o setor de construção civil se destaca como um dos poucos a prosperar em meio à pandemia, com o consumo de cimento crescendo 11% no ano passado com expectativas de expandir mais 2% a 6% neste ano.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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