Economia
Brasil deve ter em maio a Selic mais alta em quase 20 anos
Naquele momento, porém, ocorria o inverso: o Copom estava em um ciclo de redução dos juros
Além de elevar a taxa básica de juros de 13,25% para 14,25% ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central projetou, nesta quarta-feira 19, aprovar um novo aumento na reunião de maio. A previsão é de uma alta de menor magnitude, mas será o suficiente para fazer o Brasil ter a maior Selic em quase 20 anos.
A última vez que a taxa chegou a 14,25% foi entre julho de 2015 e agosto de 2016, época em que o Brasil vivia um contexto de forte crise política que resultaria na derrubada da então presidenta Dilma Rousseff (PT). Acima disso, porém, só em 2006: em agosto daquele ano, o índice era de 14,75%.
Naquele momento, ocorria o inverso, com o Copom aplicando um ciclo de redução dos juros. Entre março e setembro de 2005, a taxa básica ficou em 19,75%; na sequência, caiu entre outubro de 2005 (19,5%) e outubro de 2007 (11,25%).
Ao justificar o forte aumento desta quarta, o Copom afirma que o cenário externo permanece desfiador, devido especialmente à conjuntura nos Estados Unidos sob Donald Trump. No front doméstico, o BC avalia que os indicadores da atividade econômica e do mercado de trabalho apresentam dinamismo, “ainda que sinais sugiram uma incipiente moderação no crescimento”. O texto menciona também a inflação acima da meta.
Em uma sinalização ao governo federal, o comitê publicou que a percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida pública continua a impactar, “de forma relevante”, os preços de ativos e as expectativas.
“O cenário mais recente é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, o que exige uma política monetária mais contracionista”, diz o comunicado.
Diante do que considera um cenário adverso para conduzir a inflação de volta à meta, o comitê projeta um novo aumento na Selic para maio, de magnitude inferior ao desta quarta. Pode ser, portanto, uma elevação de 0,25, 0,50 ou 0,75 ponto percentual.
Os diretores, contudo, não sinalizam se o ajuste de maio será o último do atual ciclo de aperto monetário. O fim desse movimento, enfatiza o Copom, será ditado “pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação”.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Copom leva Selic a 14,25% e projeta novo aumento em maio
Por CartaCapital
Fed mantém taxas de juros, reduz previsão de crescimento e eleva projeção de inflação nos EUA
Por AFP
Com juros altos, demanda por crédito no Brasil recuou 7% em 2024
Por Do Micro ao Macro



