Economia

Com o dólar nas alturas, BC faz novo leilão para estabilizar o mercado e conter especulação

Embora a moeda estrangeira tenha registrado altas pontuais nos últimos meses, o movimento recente é significativamente mais intenso

Com o dólar nas alturas, BC faz novo leilão para estabilizar o mercado e conter especulação
Com o dólar nas alturas, BC faz novo leilão para estabilizar o mercado e conter especulação
Foto: Jorge Araújo/Fotos Públicas
Apoie Siga-nos no

O Banco Central (BC) atuou no mercado cambial na manhã de terça-feira, 17, ao anunciar um novo leilão à vista de dólares. A medida foi tomada após a moeda norte-americana atingir o pico de R$ 6,16 na abertura do mercado.

O leilão, com liquidação prevista para a próxima quinta-feira, 19, envolve um lote mínimo de 1 milhão de dólares para pagamento à vista.

Logo após a abertura do mercado, o BC anunciou a venda de 1,2 bilhão de dólares em um leilão não programado. No total, foram vendidos sete lotes com taxa de corte de R$ 6,1005.

Os movimentos da autoridade monetária têm sido mais frequentes nas últimas semanas, impulsionados pela disparada do dólar. A expressiva alta da moeda se deve, entre outros motivos, à descrença do mercado financeiro em relação à viabilidade do pacote de cortes de gastos anunciado pelo governo Lula (PT).

De acordo com o BC, houve uma “desancoragem adicional” nas projeções cambiais, exigindo, assim, maior atuação da instituição.

Mesmo após dois leilões realizados na segunda-feira e um na última sexta-feira, 13, o BC não conseguiu conter o avanço da moeda norte-americana. O próprio Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que “a desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros” e que “deve ser combatida”.

Como o BC atua no mercado cambial

A oferta de dólares à vista é uma maneira de interferir diretamente no câmbio. A venda da moeda norte-americana busca equilibrar a oferta e a demanda e, neste caso específico, conter a alta expressiva do dólar.

Até o início deste mês, o BC havia realizado apenas um leilão durante o terceiro mandato de Lula. Embora a moeda estrangeira tenha registrado altas pontuais nos últimos meses, o movimento recente é significativamente mais intenso.

Por um período – de 2013 a 2018, especificamente – o BC não atuou no mercado de dólar à vista. Nos anos seguintes, porém, a instituição precisou intervir, o que resultou na redução das reservas cambiais do país.

Dados do BC indicam que, em 2018, as reservas brasileiras chegaram a 374 bilhões de dólares. No final de 2022, a cifra caiu para cerca de 324 bilhões. Contudo, a curva se inverteu, e o Brasil voltou a acumular reservas, atingindo atualmente cerca de 360 bilhões de dólares.

O Brasil adota o sistema de câmbio flutuante, o que significa que o preço da moeda é determinado pelo mercado. Assim, as intervenções do BC tendem a ser pontuais, ocorrendo em momentos de alta volatilidade.

Para o futuro, o próximo presidente do BC, Gabriel Galípolo, destacou que o Brasil não deve “segurar o dólar no peito”. “Tem US$ 370 bilhões de reserva, por que não segura no peito? Mas quem está no mercado sabe que não é assim que funciona”, afirmou Galípolo.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo