Economia
Acordo UE-Mercosul é vitória do mundo democrático e do multilateralismo, diz Lula
Após mais de 25 anos de negociação, a assinatura do tratado ocorrerá neste sábado 17, no Paraguai
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira 16 que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é positivo para ambos os blocos, mas especialmente para “o mundo democrático e o multilateralismo”.
Lula discursou no Rio de Janeiro, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A assinatura do tratado ocorrerá neste sábado 17, no Paraguai, após mais de 25 anos de negociações.
“Contemplamos compromissos com o meio ambiente e o enfrentamento à mudança do clima, com os direitos dos povos indígenas, com os direitos dos trabalhadores e com a igualdade de gênero”, disse o petista. “A liberalização e a abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades.”
Trata-se, prosseguiu de Lula, de um acordo que amplia as oportunidades comerciais e de investimentos sem comprometer o papel do Estado em áreas como saúde, desenvolvimento industrial, inovação e agricultura familiar.
“Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia. Mas não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado.”
Segundo o presidente, Mercosul e UE compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Assim, acrescentou, o diálogo político e a cooperação garantirão “padrões elevados” de respeito aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente.
Lula afirmou que o Brasil continuará a trabalhar para abrir novos mercados e construir parcerias, “em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China“.
“O acordo que vai ser assinado amanhã em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa. E é bom, muito bom, sobretudo, para o mundo democrático e para o multilateralismo”, completou.
Lula, cujo papel foi crucial no avanço do tratado, não participará da cerimônia de assinatura.
O tratado elimina tarifas aduaneiras para mais de 90% de seu comércio bilateral e favorece as exportações de automóveis, maquinário, vinhos e destilados europeus para os Estados fundadores do Mercosul. Em troca, facilita a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanas.
Após a assinatura, cada país signatário do Mercosul e o Parlamento Europeu — onde a maioria a favor do pacto é incerta — ainda terão de referendar o tratado.
Produtores agropecuários europeus temem que itens sul-americanos mais competitivos inundem seus mercados devido a normas de produção que consideram menos rigorosas. Milhares deles protestam há dias na França, na Polônia, na Irlanda e na Bélgica.
Para acalmar a revolta de agricultores e pecuaristas, a Comissão Europeia desenhou uma série de cláusulas e concessões. Entre elas estão garantias para seus setores de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, limitando o percentual de produtos latino-americanos isentos de tarifas e prevendo intervenção em caso de desestabilização do mercado.
(Com informações da AFP)
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