A Semana do Mercado #4: CPI da Covid deve acirrar tensão política e fiscal

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 12

Parentes choram durante o funeral da vítima da Covid-19. Foto: Michael DANTAS / AFP

Parentes choram durante o funeral da vítima da Covid-19. Foto: Michael DANTAS / AFP

Economia

A tensão política e seus reflexos na questão fiscal, via Orçamento, devem se acirrar com a futura CPI da Covid 19, afetando bolsa, dólar e juros. O entendimento de analistas é que, agora, o Senado ganha poder de barganha na questão orçamentária, somando-se à Câmara nas negociações para se chegar a um consenso.

Entendem analistas e operadores do mercado que a instalação da CPI da Covid-19 e as pressões do Centrão em relação ao Orçamento podem se multiplicar, com ameaças de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, o que ampliaria mais ainda a influência do mesmo Centrão sobre o Planalto.

Já a tática diversionista proposta pelo próprio presidente Bolsonaro em telefone gravado pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), de espalhar a CPI para governadores, prefeitos, ministros do Supremo sem dúvida alguma tem tudo para distrair ainda mais o foco da equipe econômica, do governo e do Congresso da agenda de reformas, cujo cronograma já está bem apertado, pois o segundo semestre tenderá a concentrar as conversas e iniciativas em Brasília nas eleições de 2022.

A moeda americana, que abriu o dia em queda seguindo a tendência internacional de baixa, inverteu o movimento com a fervura política em Brasília. No meio da tarde, o dólar à vista subia 0,41% cotado a 5,695 reais para a venda) e o futuro com vencimento em maio registrava alta de 0,19%, a 5,7 reais). Já o mercado futuro de juros operava em baixa. O DI para janeiro de 2022 cai três pontos-base a 4,66%, DI para janeiro de 2023 tem queda de um ponto-
base a 6,51%, DI para janeiro de 2025 recua um ponto-base a 8,23% e DI para janeiro de 2027 tem variação negativa de dois pontos a 8,87%. O futuro foi na contramão das expectativas dos economistas ouvidos pelo Banco Central para o Boletim Focus, divulgado esta manhã, em que a projeção para a taxa básica de juros, Selic, subiu de 5,00% ao ano para 5,25% para 2021, mantendo-se em 6,00% ao ano para 2022. É comum os DIs futuros caírem quando o mercado projeta uma Selic mais alta no futuro, porque entende-se que a Selic mais alta afetará a inflação positivamente e o custo do dinheiro mais à frente. A Bolsa, por sua vez, operava em alta de 0,89%, com o índice Bovespa em 118.713 pontos.

Para esta semana, fora da política brasiliense, o destaque será a divulgação dos indicadores de atividade pelo IBGE, que trazem os números de fevereiro do varejo na terça-feira 13 e do setor de serviços na quinta 15, segundo o boletim semanal da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Os economistas da entidade observam que, apesar do recrudescimento da pandemia e da reimposição de medidas restritivas, boa parte dos indicadores mais tempestivos seguiram apresentando números positivos em fevereiro, sinalizando que o impacto sobre a atividade ainda foi baixo no mês.

Neste sentido, a expectativa do consenso dos analistas para o resultado do varejo ampliado (que inclui veículos e materiais de construção) é de alta de 1,7% no mês, devolvendo parte das quedas observadas em dezembro e janeiro, de 3,1% e 2,1%, respectivamente.

No caso do setor de serviços, a expectativa é de uma queda moderada, de 0,4%, interrompendo a sequência de recuperação do setor iniciada em junho de 2020. Para março, no entanto, o cenário se mostra consideravelmente pior, com quedas pronunciadas na maioria dos indicadores já divulgados, assim como nos índices de mobilidade. Assim, embora os números de fevereiro ainda tragam um baixo impacto da pandemia na atividade, os dados de março devem mostrar uma deterioração mais expressiva, reforçando a expectativa de queda da atividade no 1º trimestre do ano.

No cenário inflacionário, a FGV divulga o IGP-10 de abril na quinta 15, que deve mostrar alta de 1,50%, apresentando alguma desaceleração ante o mês anterior (+2,99%). O resultado deve refletir uma alta mais moderada no atacado, especialmente dos combustíveis, que mostraram altas expressivas nas últimas leituras.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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