A Semana do Mercado #15: digestão do pacote tributário e atenção com a CPI

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 28

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Economia

Sem indicadores, dados ou eventos econômicos mais relevantes e com as expectativas ajustadas de atividade econômica, inflação, juros e câmbio, os mercados financeiros iniciam a semana digerindo o pacote tributário apresentado na sexta-feira 25 pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e atentos aos desdobramentos da CPI da Covid, com evidente desgaste para o governo do presidente Jair Bolsonaro.

 

 

O depoimento do deputado Luís Miranda apontando um escândalo bilionário de corrupção no Ministério da Saúde pressionou o dólar, que vinha lentamente devolvendo a alta dos meses anteriores que levou a moeda americana ao pico de 5,80 reais, em maio do ano passado e em março deste ano. A alta da taxa básica de juros, a Selic, promovida pelo Banco Central desde março, foi um dos fatores a pesar sobre o dólar. Outro, a própria alta da moeda, ao estimular as exportações, gerou uma superoferta da moeda.

A balança comercial já acumula um superávit da ordem de 34,275 bilhões neste ano, até a primeira quinzena de junho, e as expectativas dos analistas e economistas do mercado consultados semanalmente pelo BC projetam um saldo de 68,8 bilhões de dólares para o final do ano.

Mas o indicador mais importante das contas externas a influir no dólar é a conta corrente, o balanço de entradas e saídas de moeda por conta das exportações, importações, contas de serviços (turismo, seguros, etc.), aplicações financeiras de estrangeiros e investimentos diretos. A expectativa é de um saldo negativo de 0,27%, que era de 1,06% negativo apenas um mês atrás. Isso indica que o mercado espera muito mais dólar entrando no País, logo, maior oferta da moeda americana, o que baixa sua cotação e valoriza o real.

No entanto, na sexta-feira 25 o dólar comercial subiu 0,67%, fechando a 4,938 reais na venda. Hoje estava sendo negociado a 4,95, com alta de 0,2%, depois de ter caído 5% neste ano, em função da CPI e do pacote tributário, segundo avaliação de analistas do Banco Itaú em boletim diário a clientes. O texto destaca o desagrado do mercado em relação às mudanças pretendidas. Na mesma linha, o boletim da Levante Ideias de Investimento assinala: “O mercado permanece na expectativa tanto dos desdobramentos da proposta de reforma tributária quanto das novidades no cenário político, o que deve elevar a volatilidade dos ativos.”

“O mercado vai continuar repercutindo o que acontece no front doméstico, com foco na reforma tributária, que teve repercussão negativa, e na CPI, que mesmo não tendo impacto direto traz um desgaste muito grande e, provavelmente, vai acarretar novas medidas populistas neste ano e no próximo, em vista das eleições”, diz o analista Bruno Komura, da gestora Ouro Preto. “O que significa que a questão fiscal vai voltar à tona bem rapidamente e fazer a bolsa andar de lado, talvez até com uma certa pressão negativa, com mais preocupações no radar do que notícias positivas por vir”.

A estabilidade nas expectativas com indicadores ficou clara no Boletim Focus divulgado hoje, em que o mercado financeiro voltou a revisar para cima suas projeções para o crescimento da economia brasileira e para a inflação deste ano, sem, no entanto, alterar as projeções para a Selic, mantida em 6,50% ao fim de 2021 e daí até dezembro de 2022.

Além disso, como na semana anterior, o mercado espera nova alta de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, em agosto. As estimativas para a inflação em 2021 subiram pela 12ª semana consecutiva, desta vez de 5,90% para 5,97%. Para 2022, as apostas se mantiveram em alta de 3,78% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Quanto ao Produto Interno Bruto, a média das expectativas do Focus para a expansão da atividade subiu de 5% para 5,05% em 2021, pela décima semana seguida. Para 2022, a expectativa é de expansão de 2,11%, ante 2,10% no levantamento anterior.

 

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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