A Semana do Mercado #12: inflação de maio e varejo de abril se destacam

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 7

Foto: iStock

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Economia

Nesta semana que antecede a da reunião do Copom, as atenções voltam-se para a inflação de maio e também a divulgação de dados sobre as vendas no varejo em abril, já que os dois indicadores são, por assim dizer, interativos. Nível de preços e de atividade também são os destaques dos mercados internacionais.

Na quarta 9, o IBGE divulga o IPCA de maio. As expectativas são de uma alta de 0,71% no mês, levando o índice a acumular uma alta anual de 7,93%, pressionado pela bandeira vermelha nas contas de energia e dos combustíveis, que voltaram a subir na 2ª quinzena do mês.

Alimentos e itens industriais também devem seguir pressionando o indicador. A edição de hoje do Relatório Focus mostra nova elevação da projeção de inflação para este ano, dos 5,31% da semana anterior, para 5,44% — acima do teto da meta de inflação, que é de 5,25% (o centro da meta, objetivo final do BC, é 3,75%). Apesar disso, as projeções para a taxa de juros referencial Selic permaneceram inalteradas em 5,75%, assim como o dólar previsto para dezembro, que segue em 5,30 reais.

A pesquisa do Banco Central entre economistas também mostra uma elevação significativa da média das expectativas para o crescimento da economia, que avançou de 3,96% na semana anterior, para 4,36% nesta semana. A mudança foi fruto do crescimento de 1,2% no PIB do primeiro trimestre, acima do 0,7 por cento esperado pelos analistas do mercado, que parecem não ter se sensibilizado para leituras mais atentas e detalhadas dos números do PIB, como a dos professores Affonso Celso Pastore, José Roberto Mendonça de Barros e Samuel Pessôa, que, em artigos na imprensa, apontaram vulnerabilidades como: inclusão meramente contábil de plataformas de petróleo importadas meses atrás nos dados atuais (devido ao regime aduaneiro especial que comanda essas importações) e o crescimento dos estoques (que indica produção não vendida, o que compromete futuramente a atividade). 

Varejo

Em todo o caso, os “olheiros” do mercado ficarão atentos, amanhã, ao resultado do varejo de abril. O consenso entre analistas é de que ele volte a crescer. A alta estimada é de 1,9% no conceito ampliado (que inclui veículos e materiais de construção), após a forte queda de março (-5,3%).

Na sexta 11, o IBGE divulga o resultado do setor de serviços, que deve mostrar uma alta similar, de 1,5%, também recuperando parte da retração do mês anterior (-4,0%).

A Anfavea, por sua vez, divulga o resultado da produção de veículos de maio na terça 8. Também deve registrar crescimento, conforme sugerem os dados de emplacamentos já conhecidos. O gargalo de insumos (falta de peças) deve seguir limitando a produção no curto prazo, contendo o avanço da indústria.

 

A bolsa

Confirmadas essas boas expectativas, a bolsa poderá manter o ímpeto que na semana passada levou a Bovespa à máxima histórica de 130.125 pontos. Hoje, ela amanheceu meio fraquinha, mas se recuperou depois que o presidente da Câmara Arthur Lira declarou, em evento do Bradesco, que defendeu a prorrogação do auxílio emergencial, a criação de um substituto do Bolsa Família pelo Congresso, além de manifestar apoio a um programa de privatizações. 

Internacional

As atenções se voltarão esta semana para o IPC de maio dos EUA, cuja secretaria do Tesouro, Janet Yellen, disse que o plano de gastos de US$ 4 trilhões do presidente Joe Biden seria bom para o país, mesmo que contribua para o aumento da inflação e resulte em taxas de juros mais altas. “Há uma década lutamos contra a inflação que está muito baixa e as taxas de juros muito baixas”, disse Yellen, em entrevista ao Bloomberg News. “Queremos que eles voltem a um ambiente de juros normais, e, se isso ajudar um pouco a aliviar as coisas, não é uma coisa ruim – é uma coisa boa.”

Na Zona do Euro, a semana traz a reunião de política monetária do Banco Central Europeu que acontece na quinta-feira 10. A decisão não deve trazer novidades, tanto em termos de decisão de juros, como do volume de compras de ativos. Diante da recuperação econômica letárgica se comparada a outras economias, como os EUA, os dirigentes da instituição devem reforçar a mensagem que ainda é cedo para discutir uma redução dos estímulos. Além disso, também será conhecido nesta terça-feira 8 o dado final do PIB do 1º trimestre do bloco, que deve confirmar a queda de 0,6% na margem. positivamente. 

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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