A Semana do Mercado #11: sell in may and go away

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 31

Foto: Johannes Eisele/AFP

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Economia

“Sell in May and go away” – venda em maio e caia fora, é uma expressão famosa no mercado de capitais anglo-saxão explicando que as bolsas costumam cair no início das férias no Hemisfério Norte porque os investidores zeram suas carteiras antes de viajar. Bem, aqui, pra variar, foi o contrário: a bolsa subiu bem em maio, fechando o mês com o Ibovespa na marca histórica de 125.561 pontos, acumulando alta de 5,6% no mês e superando a valorização de 1,16% do índice Standard&Poors, o mais amplo do mercado norte-americano, e de 2,94% do índice Nikkei da bolsa de Tóquio.

Para o analista Bruno Komura, da Ouro Preto Investimentos, o cenário internacional mais benigno, sobretudo nos EUA e na China, e a forte demanda por commodities foram decisivos para a elevação das cotações. “Como a demanda tende a crescer e a oferta ainda se ajustando, os preços das commodities devem permanecer alto e, consequentemente, também as cotações de empresas como Vale e Petrobras, as siderúrgicas, o agronegócio”, assinala.

Também contribui o cenário de uma economia retomando, com vários indicadores de confiança, vendas no varejo e produção industrial mostrando recuperação. A segunda onda impactou, porém cada vez menos as restrições impactam a economia.

O mercado de capitais não se sensibilizou pela CPI da Covid como se esperava

A FGV mostrou que a confiança de consumidores e empresários subiu em maio, em razão da leve melhora da pandemia, sugerindo ganho de tração da atividade e reforçando às perspectivas mais positivas para o ano. A maior elevação foi observada na confiança do comércio, com a reabertura de suas atividades, seguida por serviços e consumidores, que neste caso, também se beneficiam (os de baixa renda) da nova rodada do auxílio emergencial. Já a confiança dos empresários da construção e da indústria registrou alta mais moderada, pesando negativamente os problemas com insumos.

“O mercado está bastante animado com o cronograma de vacinação no segundo semestre, que será bem acelerado, se não houver nenhuma interrupção”, observa Komura, para quem o curto prazo é de bons augúrios para o mercado de capitais – que também não se sensibilizou tanto pela CPI da Covid como se esperava. Repercussões da política brasiliense, acredita o analista, só começarão para valer com a campanha eleitoral do próximo ano.

A divulgação, amanhã, do PIB brasileiro do primeiro trimestre (o principal evento da semana para os mercados financeiros) poderá dar mais fôlego ainda às ações, se confirmar a tese de resiliência da economia brasileira, a despeito da redução dos estímulos fiscais e de novas restrições à mobilidade implementadas como resposta ao agravamento da pandemia, segundo os analistas do Bradesco.

No quarto trimestre de 2020, a economia brasileira mostrou crescimento de 3,2%, mas encerrou o ano com queda de 4,1%. Para o primeiro trimestre deste ano, a expectativa do consenso do mercado é de alta de 0,7%, na margem e de 0,5% sobre o mesmo período de 2020, segundo boletim semanal de economia da Febraban, que destaca: “Tais projeções contrastam com as expectativas iniciais de retração da atividade no período, por conta do fim do auxílio emergencial e da 2ª onda da pandemia (novas restrições). Contudo, a economia mostrou maior resiliência, amparada pela retomada da atividade mundial e elevação dos preços das commodities, e um menor impacto do recrudescimento da pandemia, com provável adaptação dos agentes às atuais condições.

Vale citar que algumas divulgações preliminares, como o IBC-Br/BCB (+2,3%) e o monitor do PIB/FGV (+1,7%) indicaram crescimento superior no trimestre. Caso o número oficial supere as expectativas, deve reforçar o viés de alta das projeções para o crescimento deste ano, indo além de 4,0% e podendo chegar até 5,0%, como já indicam algumas instituições. ”

Entretanto, a revisão das projeções para a economia mundial neste ano da OCDE manteve a expectativa de um crescimento de 3,7% do PIB brasileiro, enquanto elevava a projeção para a maioria das economias do mundo – inclusive a da Argentina (para 6,1%).

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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