Economia

A ira de Trump após dados ruins de emprego nos EUA

O número de postos criados em maio é o mais baixo desde março de 2023

A ira de Trump após dados ruins de emprego nos EUA
A ira de Trump após dados ruins de emprego nos EUA
Foto: Alex Wroblewski / AFP
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As empresas privadas nos Estados Unidos criaram significativamente menos postos de trabalho em maio do que o previsto pelos mercados, segundo dados divulgados nesta quarta-feira 5, o que provocou a ira do presidente Donald Trump.

No mês passado, foram criados 37 mil empregos no setor privado, em comparação com os 60 mil de abril (número levemente revisado para baixo), de acordo com a pesquisa mensal da ADP/Stanford Lab.

Os analistas esperavam uma recuperação com 110 mil novos postos de trabalho, segundo o consenso publicado pelo MarketWatch.

O número de empregos criados em maio é o mais baixo desde março de 2023, “após um início de ano forte”, segundo um comunicado.

Trump, que prometeu tornar os Estados Unidos mais ricos e prósperos do que nunca, reagiu rapidamente em sua plataforma Truth Social para pressionar o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Jerome Powell, a reduzir as taxas de juros.

“Powell agora deve baixar a taxa”, escreveu Trump, voltando a apelidá-lo de “Senhor Tarde Demais” e classificando como “incompreensível” o fato de o Fed manter sua taxa básica enquanto outros bancos centrais tendem a reduzi-la.

Embora o Fed tenha começado a cortar as taxas de juros em relação aos altos níveis dos últimos anos, as autoridades do banco central têm demonstrado foco em evitar uma escalada dos preços.

Uma redução das taxas de juros por parte do Fed, que determina os custos de endividamento, poderia dar um impulso à economia norte-americana, atingida pela guerra comercial global desencadeada por Trump.

“Resultado sombrio”

O emprego no setor privado é considerado um termômetro relativamente confiável dos dados oficiais, que serão divulgados na sexta-feira.

Embora os dados da ADP possam divergir dos números do governo, os especialistas monitoram os efeitos das tarifas impostas por Trump na maior economia do mundo.

“Independentemente de quão preciso seja o relatório (da ADP), operadores e investidores interpretarão o número de hoje como um resultado sombrio para o comércio”, afirmou Carl Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics.

Ele também alertou que, à medida que as empresas ganham mais clareza sobre as tarifas, podem responder às maiores chances de aumento de custos — induzidas pelas sobretaxas — com cortes mais agressivos em suas equipes.

Por ora, a atividade do setor de serviços dos Estados Unidos também se retraiu em maio pela primeira vez desde meados de 2024, segundo a federação comercial ISM (Institute for Supply Management), enquanto as tarifas de Trump aumentam os preços e a incerteza.

Desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro, Trump impôs uma tarifa de 10% à maioria dos parceiros comerciais, além de taxas mais altas a dezenas de economias, em especial à China, que respondeu com medidas recíprocas.

As oscilações das políticas comerciais de Trump complicaram as cadeias de suprimentos, sacudiram os mercados financeiros e afetaram os consumidores.

“O emprego na indústria manufatureira está sofrendo devido ao aumento dos custos dos insumos e às interrupções nas cadeias de suprimentos. Pelo menos um fabricante de veículos foi forçado a interromper a produção durante a primeira metade de maio”, advertiu a economista-chefe da KPMG, Diane Swonk, em uma nota recente

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