Do Micro Ao Macro

YouTube Shopping chega no Brasil: como creators, marcas e a própria plataforma se beneficiam do social commerce?

YouTube Shopping estreia no Brasil e amplia o social commerce ao integrar creators, marcas e afiliados em vídeos, lives e Shorts com foco direto em conversão

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O YouTube deu início à operação do YouTube Shopping no Brasil em 2026, ampliando a disputa entre plataformas de social commerce e programas de afiliados. A iniciativa permite que criadores marquem produtos diretamente em vídeos, transmissões ao vivo, Shorts e postagens, reduzindo etapas da jornada de compra e integrando conteúdo e conversão no mesmo ambiente.

O anúncio ocorreu durante o evento Made in YouTube 2025, poucos meses após a chegada do TikTok Shop ao país. Na ocasião, a plataforma também apresentou atualizações de inteligência artificial voltadas à criação de conteúdo e confirmou a expansão do seu programa global de afiliados para o mercado brasileiro.

O YouTube Shopping passa a operar no Brasil em parceria com Mercado Livre e Shopee. Para participar, os canais precisam integrar o Programa de Parcerias do YouTube, ter ao menos 10 mil inscritos e cumprir critérios de elegibilidade definidos pela plataforma.

Segundo Danilo Nunes, especialista em estratégia criativa, a chegada do YouTube Shopping muda a lógica da monetização baseada apenas em publicidade. “Pela primeira vez, o YouTube passa a capturar valor direto da venda gerada pelo conteúdo. Antes, o creator anunciava, mas a plataforma não participava da transação”, afirma.

Nova fonte de receita para creators

Globalmente, o programa já reúne mais de 500 mil criadores e registrou crescimento de cinco vezes no volume bruto de mercadorias em relação ao ano anterior. No Brasil, a expectativa é que o YouTube Shopping se torne uma nova frente de receita, somando-se a anúncios e patrocínios.

Para Nunes, o diferencial está na integração nativa. “O conteúdo deixa de ser apenas meio de influência e passa a ser ponto direto de conversão. Isso reduz atrito e muda a forma como o creator pensa performance”, diz.

A plataforma também aposta no fortalecimento de formatos como Shorts, transmissões ao vivo e colaborações. No live commerce, foram introduzidos recursos como modo de prática, que permite testar equipamentos e discurso antes da live, além da possibilidade de transmissões simultâneas em formato horizontal e vertical.

Marcas ganham rastreabilidade e escala

Para as marcas, o YouTube Shopping organiza creators como canal de vendas estruturado, com métricas claras e atribuição direta de resultados. A funcionalidade substitui práticas como “link na bio” e reduz a dependência de UTMs externos.

“Quando a venda acontece dentro da plataforma, a marca consegue medir melhor o retorno e entender quais creators realmente convertem”, explica Nunes. Segundo ele, isso exige mudança de mentalidade. “Não é mais sobre campanhas isoladas, mas sobre presença contínua em um ecossistema onde entretenimento, confiança e conversão caminham juntos.”

O desafio, segundo o especialista, envolve adaptação operacional. Catálogos precisam estar preparados, regras de comissão devem ser claras e a logística precisa acompanhar a dinâmica do conteúdo.

Diferenças em relação a outros modelos

O movimento do YouTube ocorre em um cenário de concorrência direta com outras plataformas. Shopee e TikTok Shop priorizam social commerce ancorado em lives, com foco em urgência e volume. Já o Amazon Associates mantém um modelo baseado em links, com grande variedade de produtos, mas menor integração com o conteúdo.

Na avaliação de Nunes, o YouTube Shopping ocupa um espaço distinto. “O YouTube tem uma audiência acostumada a pesquisar antes de comprar. Reviews e tutoriais já fazem parte da cultura da plataforma, o que favorece decisões mais racionais”, afirma.

Por outro lado, ele destaca que o programa ainda é recente no Brasil, o que torna os ganhos menos previsíveis para creators e marcas no curto prazo.

Pontos ainda indefinidos

Ainda não foram divulgados percentuais de comissão, lista completa de varejistas participantes ou critérios adicionais de elegibilidade. Também não há confirmação sobre exigências específicas por categoria de conteúdo.

Segundo Danilo Nunes, que atua há um ano com o YouTube Shopping em projetos de estratégia criativa, já é possível vender produtos próprios ou de terceiros, desde que os canais atendam às regras do Programa de Parcerias e às diretrizes da comunidade. “O social commerce no YouTube está só começando no Brasil, mas o modelo aponta para uma integração mais madura entre conteúdo, confiança e transação”, conclui.

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