Do Micro Ao Macro
Lucro Real ou Lucro Presumido: saiba qual regime é o mais positivo após a Reforma Tributária
Reforma Tributária muda critérios para escolha do regime fiscal e amplia peso dos créditos entre Lucro Presumido e Lucro Real.
A Reforma Tributária deve provocar uma das maiores revisões na forma como empresas brasileiras organizam sua tributação nas próximas décadas. Além da adaptação ao novo modelo de impostos, empresários terão de decidir entre Lucro Presumido e Lucro Real em um cenário que pode alterar a competitividade dos negócios durante o período de transição.
Segundo Matheus Lopes, especialista tributário da Matheus Contador Gestão Empresarial, a chegada do IBS e da CBS muda o peso dessa escolha. “Para empresas que ultrapassam o limite do Simples Nacional, a definição entre Lucro Presumido e Lucro Real passa a envolver também a capacidade de gerar e aproveitar créditos tributários, além dos critérios tradicionais de margem de lucro e estrutura de custos”, afirma.
No Lucro Presumido, a legislação define uma margem de lucro estimada sobre o faturamento, que varia conforme o setor e pode ficar entre 8% e 32%. É sobre essa base que incidem o IRPJ e a CSLL. “O modelo também mantém o recolhimento de PIS e Cofins pelo regime cumulativo, com alíquotas menores, mas sem o mesmo aproveitamento de créditos disponível em regimes não cumulativos”, explica Matheus Lopes.
Assim, a principal vantagem do regime está na previsibilidade e na simplicidade da apuração. Empresas com margens altas, poucos custos operacionais e estrutura administrativa enxuta tendem a se beneficiar dessa opção. Já negócios com margens menores ou volume alto de despesas podem perder com a tributação sobre uma margem estimada que nem sempre reflete o resultado real da operação.
Lucro Presumido mantém vantagens em previsibilidade
Ainda de acordo com o especialista, empresas com alta margem de lucro e baixa complexidade operacional tendem a manter o Lucro Presumido como opção viável. O mesmo vale para negócios baseados em serviços e conhecimento, com poucos custos que gerariam créditos tributários, e para estruturas administrativas que ainda precisam evoluir antes de migrar para um regime mais complexo.
Créditos de tributação favorecem o Lucro Real
No Lucro Real, a cobrança considera o resultado obtido pela empresa, com receitas descontadas de custos e despesas. “O modelo permite que empresas com baixa rentabilidade, ou até prejuízo em determinado período, tenham uma tributação mais alinhada ao desempenho financeiro real. O regime também permite maior aproveitamento de créditos no modelo atual de PIS e Cofins e tende a ganhar mais espaço com a implementação do IBS e da CBS”, pontua Matheus Lopes.
Por isso, a lógica do novo sistema amplia a importância dos créditos fiscais na tomada de decisão. Compras de insumos, equipamentos, serviços e outros gastos ligados à operação podem gerar créditos que reduzem o imposto devido sobre as vendas. O mecanismo tende a tornar o Lucro Real mais competitivo para empresas com cadeias produtivas complexas e volume alto de aquisições tributadas.
Gestão financeira influencia a escolha do regime
Para Matheus Lopes, a mudança no sistema tributário aumenta a importância da gestão financeira e contábil das empresas. O Lucro Real pode representar uma vantagem, mas exige controle maior sobre custos, despesas e processos internos. “Empresas com baixa maturidade de gestão podem ter dificuldade para captar os benefícios do modelo, enquanto organizações com dados financeiros estruturados têm mais condições de decidir com base em indicadores”, avalia.
Segundo o especialista, alguns perfis de empresas tendem a se beneficiar mais da migração para o Lucro Real, entre eles negócios com margem operacional reduzida, empresas industriais, comerciais ou de serviços com volume alto de compras tributadas, e companhias que atuam no mercado B2B e precisam gerar créditos valorizados pelos clientes ao longo da cadeia.
Empresas devem planejar tributação até 2026
Por fim, Matheus Lopes destaca que o período entre 2025 e 2026 deve concentrar boa parte das revisões de planejamento tributário. “A migração de regime exige análise financeira, preparação contábil e ajustes em sistemas de gestão. Com a entrada gradual do IBS e da CBS, decisões tomadas sem planejamento podem gerar impactos financeiros relevantes”, afirma.
Enquanto isso, empresas que anteciparem simulações e cenários tendem a ganhar mais capacidade de adaptação ao novo ambiente de tributação. Para o especialista, a Reforma Tributária representa uma oportunidade para revisar a estrutura fiscal e operacional dos negócios, além da própria mudança de impostos.
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