Do Micro Ao Macro
5 sinais de que sua empresa pode estar desperdiçando dinheiro com tecnologia subutilizada
Estudos do MIT, BCG e Gartner mostram alto índice de falhas em projetos de IA e desperdício relevante em orçamentos de TI
Empresas brasileiras podem perder entre R$ 2 milhões e R$ 8 milhões por ano ao adotar tecnologia sem estratégia. Dados do Massachusetts Institute of Technology indicam que até 95% dos projetos de Inteligência Artificial não geram ganhos relevantes de receita ou eficiência.
Além disso, levantamento da Boston Consulting Group aponta que cerca de 5% das companhias conseguem capturar retorno expressivo dessas iniciativas. Já a Gartner estima que entre 15% e 30% do orçamento de TI seja consumido por soluções subutilizadas.
Para Igor Baliberdin, fundador da LOOOP e designer estratégico com duas décadas de atuação em negócios e tecnologia, o problema começa antes da contratação do software. “A tecnologia é um acelerador. Se o processo é confuso, você acelera a confusão”, afirma.
Segundo ele, há sinais claros de que a empresa está investindo em tecnologia sem estratégia.
FOMO indica tecnologia sem estratégia
Primeiro, decisões baseadas em pressão de mercado acendem alerta. Quando o argumento principal é “todo mundo usa” ou “precisamos acompanhar a concorrência”, o foco sai do resultado financeiro.
Igor afirma que a discussão deveria girar em torno de impacto em receita, margem ou eficiência. “Se a conversa está centrada em funcionalidades e não em KPI, a lógica já foi invertida”, diz.
Processos não mapeados
Outro indício aparece após a implementação. Dificuldades para extrair dados ou adaptação improvisada revelam ausência de mapeamento prévio.
Sem documentação clara dos fluxos internos, a ferramenta é imposta a um processo que ninguém estruturou. O custo de correção surge depois, muitas vezes maior do que o investimento inicial.
Operação de tecnologia refém do software
Além disso, há casos em que a equipe passa a alterar a forma de trabalhar para se adequar ao sistema adquirido.
Para Igor, quando o negócio se molda ao software, perde flexibilidade. A ferramenta deixa de servir à operação e passa a determinar como ela funciona.
Métricas ausentes
Outro sinal de tecnologia sem estratégia é a falta de metas definidas antes da assinatura do contrato.
Modernização e inovação precisam ser traduzidas em números. Redução de lead time, economia de horas ou aumento de conversão devem estar especificados. Sem indicadores, não há como medir retorno.
Sistema paralelo de tecnologia
Por fim, um dos sintomas mais comuns é a existência de dois sistemas: o pago e o utilizado no dia a dia.
Empresas contratam plataformas robustas, mas mantêm planilhas paralelas para executar tarefas. O software vira etapa burocrática, enquanto a operação real ocorre fora dele.
Com o tempo, acumulam-se ferramentas, dados duplicados e reuniões para integrar sistemas que não se comunicam. O orçamento de TI cresce, mas a produtividade não acompanha.
Checklist antes do contrato
Para reduzir risco de desperdício, Igor recomenda responder a perguntas objetivas antes da contratação.
A empresa consegue quantificar quanto o problema atual custa em horas ou receita perdida?
Os processos estão documentados?
Há KPIs definidos para avaliação em seis meses?
O custo total de propriedade foi calculado, incluindo treinamento e integração?
A equipe usuária participou da decisão?
Existe clareza de que não agir custaria mais do que implementar?
Se alguma resposta for negativa, o risco de tecnologia sem estratégia aumenta.
“Quando entendemos a jornada do funcionário e do cliente, a ferramenta adequada surge com mais clareza”, afirma Igor.
Em um ambiente em que a maioria dos projetos de IA não gera retorno relevante, tecnologia sem estratégia deixa de ser tendência e passa a representar impacto direto no caixa das empresas.
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