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5 sinais de que sua empresa paga por software que está subutilizado

Pesquisa com 19 mil avaliações de usuários corporativos mostra por que ferramentas aprovadas na compra acabam abandonadas pelas equipes na prática

5 sinais de que sua empresa paga por software que está subutilizado
5 sinais de que sua empresa paga por software que está subutilizado
Baixa adesão, processos paralelos e falhas de integração estão entre os sinais de que sua empresa desperdiça com software. Veja como identificar cada um.
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A empresa paga por uma plataforma de gestão, mas o time resolve tudo pelo WhatsApp. O CRM existe, mas os vendedores atualizam dados só no fim do mês. O software contratado para centralizar processos virou mais uma etapa burocrática na rotina de quem deveria usá-lo.

Esses casos têm um nome pouco glamouroso: desperdício silencioso. E são mais comuns do que as lideranças costumam perceber.

Um levantamento da B2B Stack, baseado em cerca de 19 mil avaliações de usuários de softwares corporativos, mostra que fatores como simplicidade, estabilidade e facilidade de uso passam a influenciar diretamente a percepção de valor das plataformas ao longo do tempo. O estudo, intitulado “Tendências do mercado B2B no Brasil em 2026”, também aponta que profissionais mais próximos da operação tendem a avaliar ferramentas de forma mais crítica do que lideranças, especialmente quando convivem diariamente com lentidão, excesso de etapas e falhas de integração.

Thiago Muniz, professor da Fundação Getulio Vargas e CEO da B2B Stack e Receita Previsível, resume o problema. “Muitas empresas conseguem implementar novas ferramentas rapidamente, mas encontram dificuldade em incorporar essas plataformas à dinâmica real de trabalho das equipes. Sem adaptação operacional, clareza de fluxo e participação dos usuários na rotina de uso, a tecnologia tende a virar apenas mais uma camada de complexidade dentro da organização”, afirma.

A perda de adesão costuma aparecer primeiro em pequenos desvios: processos paralelos, abandono gradual de funcionalidades e dependência excessiva de poucas pessoas para operar sistemas que deveriam ser de uso amplo. Cinco comportamentos ajudam a identificar quando o software deixou de fazer sentido para a operação, mesmo que continue ativo no orçamento.

O trabalho migra para fora da plataforma

Planilhas paralelas, mensagens informais e controles manuais costumam surgir quando a ferramenta é percebida como lenta, burocrática ou incompatível com o ritmo real da operação.

Quando as equipes criam atalhos para evitar o sistema oficial, o sinal é claro: o software parou de organizar o trabalho e passou a disputar espaço com ele.

Licenças pagas, funcionalidades ignoradas

Módulos pouco acessados, uso concentrado em poucas funções e licenças ociosas indicam um descompasso entre o que foi contratado e o que é realmente utilizado.

Em muitos casos, áreas diferentes passam a buscar soluções paralelas para resolver demandas que o software original deveria cobrir. O resultado é uma operação mais fragmentada, com excesso de ferramentas e baixa padronização de processos.

O sistema depende sempre das mesmas pessoas

Quando só alguns profissionais conseguem operar a plataforma com fluidez, o onboarding provavelmente falhou. Sem treinamento contínuo, novos funcionários demoram para ganhar autonomia e os processos se concentram em “especialistas internos”.

Em parte das empresas, esse problema está ligado à implementação acelerada, sem tempo adequado de adaptação e sem participação efetiva de quem vai usar a ferramenta no dia a dia.

Suporte vira rotina, não exceção

Chamados frequentes, demora no atendimento e dificuldade para resolver falhas técnicas desgastam rapidamente a relação das equipes com o software.

Aos poucos, os funcionários passam a simplificar etapas por conta própria, abandonar funcionalidades ou buscar alternativas externas para manter a produtividade. A operação se torna mais dependente de improvisos do que da própria ferramenta contratada.

O software não conversa com o restante da empresa

Ferramentas que não se integram a outras plataformas da companhia criam uma cadeia de retrabalho. Informações precisam ser transferidas manualmente entre sistemas, equipes duplicam cadastros e tarefas simples passam a depender de adaptações constantes.

Em vez de simplificar a operação, o software passa a ampliar a fragmentação do trabalho e o desgaste das equipes.

Para Muniz, o cenário reflete uma mudança na forma como empresas avaliam seus investimentos em tecnologia. “Durante muito tempo, a decisão de compra esteve concentrada no volume de funcionalidades e nas promessas de ganho de eficiência. Hoje, empresas mais maduras já entendem que o retorno da tecnologia depende da capacidade de incorporá-la à operação de forma consistente”, diz.

O executivo aponta que não existe receita única para resolver o problema. “É importante que as organizações acompanhem indicadores reais de uso, envolvam as equipes na implementação das ferramentas e priorizem integrações que reduzam retrabalho entre áreas. Sem esse acompanhamento contínuo, o risco é acumular plataformas pouco utilizadas, aumentar custos operacionais e gerar uma sobrecarga silenciosa para os times”, afirma.

Em muitos casos, softwares continuam contratados por anos mesmo depois de perderem espaço na rotina de quem deveria usá-los.

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