Do Micro Ao Macro
Saúde mental lidera 63% dos atendimentos de saúde corporativa no Brasil
Levantamento da Caju com dados de 59 mil empresas mostra que psicologia superou nutrição e medicina geral e virou rotina entre trabalhadores
A saúde mental se tornou a principal demanda de saúde nas empresas brasileiras. Dados do Panorama do RH 2026, elaborado pela Caju com base no comportamento real de mais de 59 mil empresas, mostram que a psicologia concentrou 63% de todas as consultas realizadas por trabalhadores via telemedicina ao longo de 2025, superando especialidades como nutrição (25%) e medicina geral (12%).
O volume total chegou a mais de 45 mil atendimentos no ano. A média de uso também chama atenção: cada trabalhador que acessa o benefício realiza, em média, 1,5 consulta por mês, o que aponta para a formação de um hábito de acompanhamento, não apenas para uso em momentos de crise.
Adesão dobrou em um ano
O crescimento da saúde mental corporativa no Brasil não ficou restrito ao volume de consultas. O número de empresas que contrataram soluções de saúde cresceu 106% em 2025, enquanto o total de vidas cobertas subiu 89%.
O pico de engajamento ocorreu em novembro, quando 28% da base elegível ativou os benefícios de bem-estar, o maior índice registrado no ano.
Do consultório para o dia a dia
O cuidado com a saúde dos trabalhadores avançou para além das consultas. Em 2025, foram registrados mais de 3 milhões de check-ins em atividades presenciais, como academias e estúdios, com média de duas utilizações semanais por trabalhador ativo.
No campo digital, os aplicativos de saúde mental ultrapassaram 2 milhões de acessos. O dado indica que o suporte emocional passou a fazer parte da rotina, integrado a práticas físicas e ferramentas digitais dentro de um modelo unificado de cuidado.
O que os dados mostram para o RH em 2026
O levantamento da Caju aponta seis movimentos que devem orientar a área de recursos humanos ao longo deste ano. O primeiro é a oferta de acesso unificado a telemedicina, acompanhamento psicológico e nutricional dentro de uma mesma plataforma.
O segundo é o uso de aplicativos especializados em saúde mental, que já somaram mais de 2 milhões de acessos em 2025. O terceiro é manter a recorrência de uso: trabalhadores que acessam o serviço de psicologia com regularidade apresentam jornadas mais longas de cuidado.
A integração entre saúde mental e atividade física aparece como o quarto ponto, com os mais de 3 milhões de check-ins presenciais servindo de referência. O quinto envolve o monitoramento ativo por dados, com o RH usando indicadores de utilização e recorrência para acompanhar riscos psicossociais.
Por fim, o relatório destaca as campanhas sazonais como Setembro Amarelo, que comprovadamente geram picos de engajamento e reforçam a importância de comunicação interna estruturada ao longo do ano.
Benefício que virou infraestrutura
Para os especialistas ouvidos pelo levantamento, a saúde mental deixou de ser tratada como um item acessório no pacote de benefícios. Empresas que não oferecerem suporte emocional estruturado tendem a perder trabalhadores para concorrentes que já incorporaram o cuidado psicológico como parte do ambiente de trabalho.
A saúde mental corporativa no Brasil, segundo o Panorama do RH 2026, chegou a um ponto em que ignorar os riscos psicossociais representa uma desvantagem direta na disputa por talentos.
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