Do Micro Ao Macro
Empresas brasileiras ainda não consolidaram a gestão de riscos psicossociais, aponta pesquisa
Levantamento do Instituto Livre de Assédio mostra que 37% das organizações se autoavaliaram no nível intermediário de maturidade em uma escala de 1 a 5
A maioria das empresas brasileiras ainda não consolidou práticas de prevenção a riscos psicossociais. É o que indica a pesquisa “Ambientes Seguros e Saudáveis”, conduzida pelo Instituto Livre de Assédio. Em uma escala de 1 a 5, com 5 representando o maior nível de maturidade, 37% das organizações se autoavaliaram no nível 3.
Abaixo desse patamar, 23% atribuíram nota 2 e 14% nota 1. Nos níveis mais avançados, 20% indicaram nota 4 e apenas 6% chegaram ao nível 5.
Riscos psicossociais com avanço desigual
O levantamento revela diferenças entre os temas. Políticas voltadas a assédio moral e discriminação têm maior presença formal nas organizações. Já iniciativas ligadas a estresse, sobrecarga de trabalho e saúde mental concentram mais respostas “não” ou “em elaboração”.
O padrão indica que pautas com histórico jurídico e regulatório mais longo tendem a estar mais institucionalizadas. Fatores relacionados à organização do trabalho e ao equilíbrio emocional ainda avançam de forma mais lenta dentro das estruturas corporativas.
NR-1 amplia a pressão regulatória
O debate ganhou novo peso com a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que exige a identificação, avaliação e controle sistemático de fatores que possam afetar a saúde do trabalhador. A norma amplia a necessidade de incorporar os riscos psicossociais às rotinas formais de compliance.
Para Ana Addobbati, CEO do Instituto Livre de Assédio, o ambiente regulatório exige mais do que protocolos básicos. “A maturidade institucional passa por tornar a prevenção uma cultura e a responsabilização um processo mensurável e integrado à governança corporativa, indo além dos treinamentos de onboarding e do canal de denúncia obrigatórios”, afirma.
Impactos no negócio
Segundo Addobbati, as lacunas na gestão de sobrecarga e saúde mental afetam indicadores concretos. “A ausência de políticas estruturadas tende a aumentar a exposição a disputas trabalhistas e a custos indiretos relacionados à gestão de pessoas”, diz ela.
O levantamento reuniu respostas de empresas dos setores de serviços, indústria e tecnologia, o que indica que o debate sobre riscos psicossociais atravessa perfis organizacionais distintos e não se limita a um único segmento.
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