Do Micro Ao Macro

Risco psicossocial é obrigação legal também no trabalho híbrido

Atualização da NR-1 obriga companhias a identificar e tratar fatores que afetam o bem-estar de quem alterna entre casa e escritório.

Risco psicossocial é obrigação legal também no trabalho híbrido
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A Norma Regulamentadora número 1 passou por atualização que inclui, pela primeira vez, fatores de risco psicossocial dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Sobrecarga, assédio, falta de autonomia e ambiguidade de papéis deixam de ser tratados apenas como pauta de gestão e passam a exigir identificação, avaliação e controle dentro das empresas.

Risco psicossocial entra no radar da NR-1

Segundo a norma, os fatores psicossociais precisam constar no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e, quando cabível, no Programa de Gerenciamento de Riscos. Na prática, isso implica mapear condições de trabalho que geram sofrimento psicológico, adotar medidas de controle e acompanhar resultados ao longo do tempo.

Além disso, o processo não se encerra em uma etapa única. Ele demanda participação de liderança, RH e das próprias equipes, de forma recorrente.

Trabalho híbrido embaralha fronteiras pessoais

No modelo híbrido, que mistura presença física e trabalho remoto, as fronteiras entre vida pessoal e profissional, já afetadas no regime presencial, ficam mais difusas com a digitalização das relações de trabalho.

Assim, dificuldade de desconexão, isolamento de parte das equipes e diferença de visibilidade entre quem está no escritório e quem trabalha de casa entram na lista de fatores que, sem gestão, contribuem para o adoecimento psíquico de funcionários.

Para Vivian Tenuta, diretora de RH da Corning Latam, o modelo híbrido cobra atenção redobrada das lideranças. “As lideranças precisam desenvolver a capacidade de perceber sinais de esgotamento mesmo à distância”, afirma.

Multinacionais tratam risco psicossocial como prioridade

Tenuta defende que grandes companhias multinacionais avançam além do cumprimento mínimo da norma. Ao invés de tratar a NR-1 só como exigência legal, empresas com agenda madura de saúde mental adotam escuta ativa das equipes, capacitação de líderes para identificar sinais de sofrimento, revisão de práticas de reunião e comunicação e criação de canais de apoio psicológico.

Por sua vez, no modelo híbrido, algumas dessas práticas ganham contornos próprios. O desenho das jornadas passa a considerar momentos de conexão entre equipes, voltados tanto a fins operacionais quanto à preservação de vínculos que sustentam o senso de pertencimento.

Líderes precisam captar sinais à distância

Comunicação assíncrona, quando bem gerenciada, reduz pressão por disponibilidade constante e abre espaço para trabalho mais focado. Já lideranças precisam desenvolver capacidade de perceber sinais de esgotamento mesmo à distância, o que exige escuta apurada e relação de confiança construída ao longo do tempo.

“A comunicação assíncrona, quando bem gerenciada, pode reduzir a pressão por disponibilidade constante e criar espaço para um trabalho mais focado”, diz Tenuta.

Custo econômico do sofrimento psicossocial preocupa OMS

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, depressão e ansiedade custam à economia global cerca de um trilhão de dólares por ano em perda de produtividade. Os números reforçam que saúde mental no trabalho ultrapassa a pauta humanitária e chega à competitividade das empresas.

Para Tenuta, a atualização da NR-1 abre oportunidade para que empresas revisem práticas e adotem postura mais proativa em relação ao bem-estar das equipes. “Cuidar da saúde psicossocial dos funcionários não é um gesto de generosidade corporativa, é uma condição para que as pessoas consigam trabalhar bem, por muito tempo, com propósito”, afirma a diretora de RH da Corning Latam.

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