Do Micro Ao Macro
Retenção de talentos em TI vira impasse diante da rotatividade de 35%
Escassez de profissionais, pressão por resultados e falhas de gestão ampliam custos e dificultam continuidade de projetos nas áreas de tecnologia
A retenção de talentos em TI enfrenta novo patamar de pressão no Brasil. Com rotatividade entre 30% e 35% ao ano em startups e scale-ups, segundo LinkedIn Workforce Report 2025, empresas lidam com impacto direto em produtividade, custo e continuidade de projetos.
Além disso, dados da Gartner indicam que metodologias aplicadas à gestão de pessoas podem reduzir em até 20% a rotatividade em áreas críticas de tecnologia. Ainda assim, o desafio permanece elevado diante da escassez de profissionais qualificados.
Para Danilo Rosati, diretor de Negócios & Relacionamento da SOW, “a retenção deixou de depender apenas de remuneração e benefícios; envolve compatibilidade entre perfil técnico, projeto e dinâmica das equipes”.
Desalinhamento de perfil projeto
Um dos pontos que afetam a retenção de talentos é a incompatibilidade entre expectativa do profissional e realidade do projeto. Isso inclui escopo técnico, estágio do produto e modelo de trabalho.
Por isso, processos seletivos mais detalhados ganham relevância. Avaliar aderência cultural e maturidade do negócio reduz risco de desligamento precoce.
Pressão por entregas
Ao mesmo tempo, a aceleração dos ciclos de desenvolvimento impõe desgaste. Startups operam com prazos curtos e metas agressivas.
Segundo Rosati, “times de tecnologia aceitam ritmo intenso quando há clareza de escopo e autonomia”. Sem essas condições, a rotatividade tende a crescer.
Desenvolvimento carreira
Outro fator envolve perspectiva de evolução técnica. Profissionais priorizam aprendizado contínuo e progressão estruturada.
Empresas que deixam de organizar trilhas de carreira ou feedback recorrente perdem competitividade na disputa por talentos.
Gestão de squads
Modelos hierárquicos rígidos também interferem na retenção de talentos. Squads multidisciplinares exigem autonomia, metas claras e liderança próxima ao projeto.
Quando a gestão ignora essa dinâmica, engajamento diminui e turnover aumenta.
Recrutamento estratégico
Por fim, processos de contratação focados apenas em velocidade ampliam risco. A urgência por preencher vagas pode gerar desalinhamento técnico e cultural.
Rosati afirma que “contratar rápido resolve necessidade imediata, porém pode gerar custo maior no médio prazo”. Hunting estruturado reduz desligamentos e fortalece equipes.
Com rotatividade elevada e mercado aquecido, a retenção de talentos tende a seguir entre prioridades de empresas de tecnologia.
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