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Reforma Tributária: 40% das empresas ainda não começaram a se adaptar

Levantamento mostra que Reforma Tributária ainda não entrou na agenda prática de parte relevante das empresas, apesar do início da transição

Reforma Tributária: 40% das empresas ainda não começaram a se adaptar
Reforma Tributária: 40% das empresas ainda não começaram a se adaptar
Reforma Tributária exige ajustes imediatos das empresas para 2026Imagem: Freepik Reforma Tributária
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A Reforma Tributária do consumo começa a vigorar em 2026, mas ainda não entrou na agenda prática de muitas empresas. Um levantamento do Panorama do Contas a Pagar 2026 aponta que 40% das companhias não iniciaram o mapeamento de impactos do novo modelo.

Além disso, embora 25% afirmem estar planejando ações, apenas 38% começaram, de fato, a revisar processos fiscais, financeiros e tecnológicos. A pesquisa ouviu 406 profissionais de empresas de diferentes portes em todo o país.

Com a transição gradual prevista até 2033, o novo sistema tributário passará a coexistir com o atual em menos de dois meses, o que exige ajustes operacionais mais amplos.

Reforma Tributária ainda não entrou na rotina das empresas

Primeiro, os dados indicam que a Reforma Tributária ainda não foi incorporada ao planejamento de parte relevante do mercado. A ausência de mapeamento prévio amplia riscos operacionais durante a transição.

Segundo a CPO da Qive, Erika Daguani, a adaptação envolve revisão estrutural de processos e sistemas, e não mudanças pontuais. Antecipar esse movimento reduz incertezas ao longo do período de convivência entre regimes.

Automação expõe diferenças de maturidade fiscal

Atualmente, cerca de metade das empresas utiliza algum sistema de gestão integrada ou ferramentas automatizadas. As funções mais digitalizadas são relatórios (20%), entrada de documentos (15%) e cadastros (15%).

Por outro lado, a conferência de documentos fiscais aparece entre as etapas menos automatizadas, presente em apenas 11% das empresas. Com a Reforma Tributária, 60% pretendem automatizar ou ampliar esse processo a partir de 2026.

Ainda assim, uma parcela relevante segue sem ações definidas, refletindo diferenças no nível de maturidade da gestão fiscal.

Grandes avançam; PMEs seguem paradas

O recorte por porte evidencia o descompasso. Entre as grandes empresas, 85% acompanham notas técnicas da Reforma Tributária, 75% revisam processos e sistemas, e 70% realizam simulações de cenários.

Em contraste, 60% das pequenas e médias empresas afirmam não ter iniciado nenhuma medida de preparação. Esse atraso tende a elevar custos e aumentar a dependência de apoio externo nos primeiros anos da transição.

Entre as ações já adotadas estão treinamento de equipes (17%), revisão de sistemas e ERPs (12%) e contratação de consultorias especializadas (13%).

Backoffice e caixa entram no foco da Reforma Tributária

Com a criação do IBS e da CBS, a lógica de apuração e escrituração será alterada. As empresas precisarão revisar rotinas de faturamento, compliance e integração entre áreas como TI, fiscal, compras e jurídico.

Segundo Erika Daguani, a Reforma Tributária exige atenção estratégica ao backoffice. Processos manuais ou pouco integrados elevam o risco de inconsistências, perda de créditos e autuações durante a transição.

Split payment concentra dúvidas das empresas

Um levantamento complementar, com base em dados de inteligência artificial da Qive, analisou os 544 artigos da Reforma Tributária por setor econômico. Os temas mais buscados foram split payment e crédito tributário.

O split payment, que prevê o recolhimento automático do imposto no pagamento da transação, preocupa setores como tecnologia, varejo e serviços por afetar o fluxo de caixa. Já o crédito tributário concentra dúvidas sobre direito ao crédito e risco de acúmulo ou perda em falhas de recolhimento.

Essas buscas refletem preocupações centrais das empresas diante da Reforma Tributária: liquidez e conformidade fiscal ao longo do período de transição.

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