Do Micro Ao Macro
Quatro razões para pequenos negócios iniciarem já o planejamento da Reforma Tributária
Adiar a adaptação às novas regras pode trazer desafios financeiros e operacionais que impactam a competitividade
A Reforma Tributária promete impulsionar o crescimento das pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil, mas aproveitar as oportunidades que surgem com as mudanças exige preparação prévia. O economista Felipe Beraldi, da Omie, alerta que a reforma representa uma “mudança de constituição”. Embora ainda haja discussões sobre detalhes de regulamentação, a estrutura e prazos para implementação já estão definidos. Por isso, começar cedo a adaptação pode ser determinante para evitar perdas financeiras e operacionais.
Veja a seguir quatro consequências que os pequenos negócios podem enfrentar ao postergar o ajuste às novas normas, segundo o economista.
1. Competitividade
De acordo com Beraldi, a reforma visa equilibrar a carga tributária atual, mas alguns setores, como o de Serviços, deverão enfrentar um aumento nos impostos. Ele destaca que “a premissa central é manter a neutralidade da carga tributária”, mas que algumas áreas sentirão mais o impacto.
Em 2023, o setor de serviços das PMEs cresceu 4,4%, segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs. Como esse setor foi um dos que mais impulsionou o faturamento, com alta de 7% no último ano, as empresas de serviços precisam ficar atentas aos ajustes.
2. Fluxo de caixa
Para Beraldi, o planejamento tributário passa a ser um “pilar de competitividade” para pequenas empresas. Ele explica que o novo cenário exigirá que as PMEs acompanhem de perto seus dados financeiros. A falta de um planejamento adequado pode resultar em falhas no fluxo de caixa e até em riscos de auditorias fiscais, caso a empresa pague mais ou menos tributos do que o exigido.
3. Precificação de produtos e serviços
Outra mudança relevante é o aumento no uso de créditos tributários, anteriormente aplicados no ICMS, que agora serão expandidos com o IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Para empresas no Simples Nacional, o creditamento poderá exigir um recolhimento separado, impactando a organização das finanças.
Segundo Beraldi, empresas que não fizerem esses ajustes de forma organizada podem criar problemas na cadeia de crédito tributário. Um exemplo é a venda de uma empresa B2B para outra de maior porte, em que a segunda não consegue aproveitar integralmente o crédito fiscal se a primeira não estiver devidamente enquadrada.
4. Relação com fornecedores e clientes
Por fim, Beraldi alerta para a necessidade de ajustar a política de preços com base na nova carga tributária. Ajustar os valores de produtos e serviços de forma repentina pode desagradar clientes e fornecedores, que poderiam optar por alternativas de mercado.
Antecipar esses ajustes permite avaliar com calma o fluxo de caixa, capital de giro, regime tributário e a política de preços. Além disso, Beraldi enfatiza a importância de um acompanhamento próximo de profissionais, como contadores, que possam orientar o empreendedor durante essa fase de transição e adequação.
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