Do Micro Ao Macro
Quase metade dos candidatos desiste de vagas por salário abaixo da média, aponta pesquisa
Estudos mostra que 44% abandonam processos seletivos por remuneração incompatível; falta de feedback e exigências excessivas também afetam experiência
Mesmo diante de avanços na valorização de benefícios, ambiente e flexibilidade, o salário continua sendo o principal fator de decisão para os trabalhadores brasileiros. Segundo a pesquisa Panorama de Empregabilidade, feita pela plataforma Sólides, 44% dos candidatos desistem de participar de processos seletivos quando percebem que a remuneração está abaixo da média de mercado.
A insatisfação com salários incompatíveis aparece como o principal obstáculo para quem busca emprego. Além das dificuldades financeiras, há a percepção de desvalorização profissional, o que afasta candidatos qualificados logo nas primeiras etapas.
Outros entraves
A pesquisa também apontou outros fatores que prejudicam a experiência dos profissionais durante os processos seletivos. Exigências incompatíveis com a vaga foram citadas por 34% dos entrevistados.
Além disso, 33% relataram perguntas invasivas e episódios de preconceito ou discriminação. A falta de clareza nas informações fornecidas pelas empresas também apareceu com destaque: 32% dos candidatos notaram falhas nesse aspecto.
Outro dado relevante: 92% dos entrevistados gostariam de receber retorno sobre o processo, mas 65% afirmam que a ausência de feedback impacta negativamente a imagem da empresa.
Salário é principal atrativo
Entre os profissionais que já estão empregados, a remuneração também lidera as motivações para buscar novas oportunidades. Para 62% dos entrevistados, o principal motivo para considerar uma mudança de emprego é a chance de obter um salário mais alto.
Na escolha entre duas vagas, a remuneração também aparece como o fator mais decisivo, ainda acima de benefícios ou oportunidades de carreira.
Benefícios e desenvolvimento
Apesar da centralidade do salário, o levantamento mostra que há uma mudança de mentalidade, sobretudo entre os mais jovens. Oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional foram apontadas por 52% dos entrevistados como prioridade na hora de aceitar uma vaga.
O pacote de benefícios também ganhou espaço: 43% mencionaram vantagens como vale-refeição, vale-alimentação e auxílio-transporte como elementos que influenciam diretamente na decisão.
Nova realidade
Com um perfil de candidato mais exigente, conectado e consciente de seus direitos, as empresas precisam revisar suas estratégias de atração e retenção de talentos. Ajustar o nível salarial, revisar os processos seletivos e oferecer planos de carreira consistentes são passos cada vez mais relevantes para competir por bons profissionais.
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