Do Micro Ao Macro

Por que metade dos projetos de IA fracassam antes de sair do piloto

Dados de McKinsey, Gartner e MIT mostram que a maioria das iniciativas não passa da fase experimental e nunca chega a impactar os resultados financeiros

Por que metade dos projetos de IA fracassam antes de sair do piloto
Por que metade dos projetos de IA fracassam antes de sair do piloto
Especialista explica por que o ROI de IA virou a principal cobrança do mercado corporativo e quais armadilhas levam projetos ao fracasso ROI de IA Image by freepik
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Quase metade das empresas abandonou projetos de IA em 2025. A taxa saltou de 17%, em 2024, para 42% no ano passado, segundo levantamento da S&P Global Market Intelligence com mais de mil profissionais de nível médio e sênior. Os números são parte de uma compilação da Marlabs, consultoria global de inovação, que reuniu estudos de McKinsey, Gartner, MIT e Forrester para mapear o que está travando a adoção da inteligência artificial nas empresas.

O retrato é de uma divisão. De um lado, organizações que conseguem escalar a tecnologia e colher retorno. Do outro, a maioria, presa em ciclos intermináveis de testes sem resultado.

Projetos de IA que não saem do papel

Segundo o MIT, em seu relatório State of AI Business 2025, 95% dos projetos-piloto de IA não entregam impacto mensurável no P&L, a demonstração de resultados financeiros das empresas. A McKinsey, em pesquisa com mais de 1.300 profissionais, chegou a conclusão similar: menos de 10% dos casos de uso passam da fase experimental e geram valor de forma consistente.

O problema se repete em diferentes setores e portes de empresa. O que varia é a velocidade com que as organizações reconhecem o obstáculo.

Dados ruins derrubam a maioria

Um dos fatores mais citados nos estudos é a qualidade dos dados. O Gartner aponta que 85% dos projetos de IA falham por conta de dados inadequados, e prevê que 60% das iniciativas serão encerradas no próximo ano pelo mesmo motivo.

A pesquisa da BigID, com mais de 200 líderes de segurança e compliance, mostra que 69% dos executivos reconhecem que a infraestrutura precária de dados inibe o avanço da IA. O levantamento da CFOTech vai além: 97% dos executivos de instituições financeiras afirmam que os silos de dados bloqueiam a evolução das iniciativas.

Organizações que investem em governança de dados têm implantação de IA quatro vezes mais rápida e geram três vezes mais valor, segundo o Connectivity Benchmark Report da MuleSoft, que ouviu 1.050 CIOs ao redor do mundo.

O gap de maturidade em MLOps

Outro ponto mapeado pela Marlabs é a falta de maturidade operacional para sustentar projetos de IA no longo prazo. Dados da Forrester indicam que apenas 22% das empresas têm capacidades maduras de MLOps (Machine Learning Operations), a prática de operacionalizar modelos de aprendizado de máquina de forma escalável e confiável.

Sem essa estrutura, os projetos de IA ficam confinados ao ambiente de laboratório. Com ela, empresas chegam a reduzir em 87% o custo por execução de modelos, segundo a Sigmoid.

A Forrester também identificou que organizações com arquiteturas de IA sob medida conseguem absorver o dobro do crescimento de dados em comparação com aquelas que usam plataformas genéricas.

Tensão interna e iniciativas em silos

A dimensão cultural também pesa. Pesquisa da Writer and Workplace Intelligence com trabalhadores do conhecimento e executivos mostrou que 68% dos líderes de alto nível relatam tensão entre as equipes de TI e as demais áreas de negócio após a adoção de IA generativa. Outros 72% admitem que os projetos de IA dentro de suas empresas avançam de forma isolada, sem integração entre departamentos.

Quando há investimento em gestão de mudança, o cenário muda. O estudo da Deloitte com mais de 2.800 executivos indica que iniciativas de IA em empresas que estruturam a transição têm 1,5 vez mais chance de superar as expectativas.

O que separa quem escala de quem trava

A McKinsey, em sua pesquisa global com mais de 3.000 organizações, identificou que 50% das empresas com alto desempenho em IA estão redesenhando fluxos de trabalho inteiros, não apenas automatizando tarefas pontuais. A diferença não está no modelo de linguagem escolhido ou no orçamento destinado à tecnologia.

Marcos Chiodi, Country Manager da Marlabs no Brasil, acompanha esse movimento de dentro. Para ele, as empresas que avançam são aquelas que tratam dados, governança e cultura como partes indissociáveis da implantação, e não como etapas posteriores.

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