Do Micro Ao Macro
Profissionais do futuro: 5 habilidades que diferenciam o mero usuário de IA de um líder em potencial
Estratégia, clareza de pensamento e qualidade das perguntas explicam por que alguns profissionais ampliam resultados com IA e outros apenas testam ferramentas
A inteligência artificial deixou de ser diferencial competitivo isolado no ambiente corporativo. Ferramentas de IA já automatizam contratos, relatórios, apresentações e tarefas operacionais. Ainda assim, o uso disseminado da tecnologia não produziu, por si só, profissionais do futuro, mais preparados para liderar decisões complexas.
Segundo consultor empresarial Denis Caldeira, o fator que separa usuários comuns de líderes exponenciais não está no domínio técnico nem no aprendizado constante de novas plataformas. A diferença está na capacidade de pensar com clareza, estruturar problemas e formular perguntas precisas.
Para Caldeira, a IA amplia o pensamento humano, mas também expõe suas fragilidades. Dois profissionais usando o mesmo modelo podem chegar a resultados opostos, dependendo da forma como organizam ideias, objetivos e contexto.
Clareza mental e pensar antes de pedir
A ausência de clareza leva a respostas genéricas. Quando o pedido é vago, qualquer resultado parece aceitável. Profissionais que se destacam sabem definir objetivo, público e resultado esperado antes de interagir com a IA.
Em vez de solicitar ajuda genérica, eles delimitam escopo, duração, linguagem e finalidade. Esse nível de precisão direciona a tecnologia e reduz retrabalho.
Dizer muito com pouco
Síntese não é encurtar texto, mas identificar o que importa. No ambiente executivo, excesso de informação dispersa atenção e compromete decisões.
O mesmo ocorre com a IA. Contextos longos e pouco organizados geram respostas difusas. Quanto mais direto o raciocínio, maior a utilidade do retorno.
Transformar caos em direção
Delegar tarefas à IA exige lógica e sequência. Objetivos claros, critérios definidos e etapas organizadas reduzem erros e aumentam a qualidade da entrega.
Caldeira compara o uso da IA à delegação de tarefas a um estagiário altamente capacitado. Se a orientação for confusa, o erro será rápido e bem executado.
Contexto: base para decisões aplicáveis
A IA opera por padrões. Já o profissional precisa conectar dados à realidade do negócio. Informações sobre mercado, cliente, histórico e restrições fazem diferença entre respostas genéricas e soluções aplicáveis.
Sem contexto, a tecnologia produz hipóteses. Com contexto, produz caminhos.
Criatividade estratégica: fazer a pergunta que falta
A habilidade menos comum está em questionar pressupostos. Não se trata de improviso criativo, mas de reposicionar o problema.
Perguntas como “o que sobra para humanos fazerem melhor se a IA liderar essa operação?” ajudam a redefinir papéis, processos e decisões.
Segundo Caldeira, profissionais que formulam boas perguntas antecipam movimentos e orientam times. O uso inteligente da IA depende menos da ferramenta e mais da qualidade do pensamento que a conduz.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



