Do Micro Ao Macro

Somente 1 em cada 5 pequenos empreendedores consegue prever com precisão o fluxo de caixa nas próximas semanas

Levantamento da Cora ouviu 1.300 empreendedores brasileiros e mapeou os principais obstáculos para organizar as finanças do negócio

Somente 1 em cada 5 pequenos empreendedores consegue prever com precisão o fluxo de caixa nas próximas semanas
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Apenas 19% dos pequenos empreendedores brasileiros conseguem prever com precisão o caixa das semanas seguintes, segundo pesquisa da Cora, instituição financeira voltada para quem empreende. O dado indica que, entre cada cinco negócios, só um consegue antecipar com clareza quanto dinheiro vai entrar e sair da empresa. Outros 60% dos entrevistados afirmam que essa previsão acontece apenas às vezes, raramente ou nunca.

Ainda assim, acompanhar o fluxo financeiro já é rotina para boa parte dos donos de negócio. De acordo com o levantamento, 56% monitoram a situação financeira da empresa com frequência, e mais 22% fazem esse acompanhamento com alguma regularidade. O ponto de atenção, segundo a pesquisa, é que monitorar não equivale a planejar: acompanhar o caixa no dia a dia não garante que o empreendedor consiga usar essas informações para tomar decisões futuras.

Previsão do caixa falha para maioria dos negócios

Para Igor Senra, CEO da Cora, a explicação passa pela concentração das tarefas financeiras nas mãos de quem empreende. “Existe uma diferença importante entre acompanhar o caixa e conseguir usar essas informações para planejar o futuro do negócio. Quando o empreendedor precisa cuidar sozinho de toda a operação financeira, grande parte da energia acaba direcionada para resolver urgências do presente”, afirma Senra.

Assim, o tempo dedicado a apagar incêndios financeiros deixa pouco espaço para o planejamento de médio e longo prazo, mesmo entre os negócios que já têm o hábito de olhar para as próprias finanças com regularidade.

Empreendedor acumula funções financeiras

Segundo a pesquisa, 62% dos respondentes dizem ser hoje os principais responsáveis pelas finanças da própria empresa. Apenas 2% contam com apoio externo de contador ou consultoria para tocar essa parte do negócio.

Entre os microempreendedores individuais, a concentração é ainda maior: 72% assumem sozinhos a gestão financeira, e só 1% recorre a algum tipo de suporte especializado. Para a Cora, esses números mostram que grande parte dos empreendedores acumula tarefas operacionais e de planejamento ao mesmo tempo, o que dificulta o uso do fluxo de caixa como ferramenta de antecipação de cenários.

“O fluxo de caixa deveria ajudar o empreendedor a antecipar cenários e tomar decisões com mais segurança. Mas, quando a rotina financeira é marcada por cobranças, pagamentos, controle de despesas e resolução de urgências, sobra menos tempo e energia para olhar o futuro”, diz Senra.

Além do acúmulo de funções, a instabilidade do ambiente em que os pequenos negócios operam também pesa na equação. A pesquisa aponta a incerteza nas vendas futuras como o principal obstáculo para prever o caixa, citada por 37% dos respondentes. Também aparecem entre as dificuldades mais citadas a dependência de poucos clientes ou contratos, mencionada por 29%, e os atrasos ou a falta de pagamento por parte dos clientes, apontados por 27%.

Receitas e despesas seguem desequilibradas

Nos últimos 12 meses, metade dos entrevistados afirmou que a empresa gastou mais do que faturou com alguma frequência. Do total, 27% disseram que isso aconteceu às vezes, 15% relataram frequência maior e 7% afirmaram que a situação é constante. Apenas 23% disseram que o desequilíbrio entre receitas e despesas nunca ocorreu no período analisado.

Por isso, garantir uma entrada constante de dinheiro aparece hoje como a principal preocupação financeira dos pequenos empreendedores brasileiros: 34% citam esse ponto como o maior desafio do dia a dia. Em seguida vem o receio de ficar sem dinheiro em caixa para pagar contas, apontado por 31%, e a dificuldade de prever quanto vai entrar e sair da empresa, mencionada por 22%.

Instabilidade dificulta o planejamento do caixa

Para Senra, os números reforçam que a gestão financeira dos pequenos negócios ainda gira em torno da manutenção da operação no curto prazo. “Quando existe pouca previsibilidade sobre vendas, pagamentos e fluxo de caixa, o empreendedor tende a operar olhando para urgências imediatas. Isso reduz a capacidade de planejar investimentos, crescimento e decisões de longo prazo”, afirma o executivo.

Com base nesse retrato, a Cora lançou a campanha “O Mundo é de Quem Faz”, voltada a reforçar sua atuação junto a quem empreende no país. A ação parte da trajetória de empreendedores brasileiros e busca dialogar com desafios como a dificuldade de prever o futuro financeiro, o acúmulo de funções e a necessidade de simplificar a rotina de gestão.

“Ao transformar o ‘não vai dar certo’ em um movimento de incentivo ao empreendedor brasileiro, a campanha conecta diretamente nossa atuação aos desafios reais de quem toca um negócio todos os dias”, comenta Senra.

A pesquisa “A vida financeira de quem toca um negócio no país” foi realizada pela Cora em parceria com o instituto Hibou em abril de 2026. O levantamento reuniu 1.300 respostas completas de empreendedores de todo o Brasil, entre MEIs, microempresas, pequenas empresas e empresas de médio porte, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os dados reforçam que, sem apoio para organizar o caixa, a maioria dos pequenos negócios brasileiros segue tomando decisões financeiras no improviso.

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