Do Micro Ao Macro
PMEs ampliam uso de pontos de recebimento na logística do e-commerce
Levantamento da Loggi mostra que pequenas empresas usam cada vez mais estabelecimentos comerciais para enviar encomendas
A logística das pequenas e médias empresas ganhou um novo aliado no primeiro semestre de 2026: o uso de pontos de recebimento para envio de encomendas cresceu 53% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O modelo, batizado internacionalmente de Pick up and Drop off points (PUDOs), já responde por 39% das postagens feitas por PMEs no país.
Os números fazem parte da quinta edição do Mapa da Logística, levantamento que reúne dados de 22 mil empresas de diferentes portes e segmentos, coletados em mais de 5 mil municípios das cinco regiões do Brasil.
Segundo Juliana Fracchia, diretora-executiva de Receitas e Clientes da Loggi, empresa responsável pelo estudo, o avanço dos pontos de recebimento mostra uma mudança na forma como pequenos negócios organizam a própria logística. “A expansão dos pontos de envio mostra que as PMEs estão buscando uma logística mais flexível e adaptada à realidade de seus negócios. Mais do que uma alternativa para enviar produtos, esses estabelecimentos ajudam a ampliar as possibilidades de operação e dão ao empreendedor mais autonomia para escolher como e quando postar seus pedidos”, afirma Fracchia.
Para pequenos negócios que dividem etapas distintas da operação com equipes reduzidas, contar com estabelecimentos comerciais para retirada e devolução de pacotes amplia as opções de postagem. Na prática, isso reduz a dependência de um único canal de envio.
PMEs buscam mais flexibilidade logística
À medida que o comércio eletrônico se torna mais disputado, cresce a busca por operações previsíveis e adequadas à rotina de cada negócio. “Ter uma logística eficiente, previsível e adequada à dinâmica de cada negócio passa a ser um diferencial importante para crescer”, completa Fracchia.
Logística de PMEs se espalha pelo país
A origem dos envios também revela uma diferença entre portes de empresa. Enquanto cerca de 40% dos pacotes despachados por PMEs partem de São Paulo, entre grandes marcas essa participação ultrapassa 67%.
Já em estados como Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais, a origem local tem participação maior entre pequenos negócios: 15%, 9% e 9% dos pacotes de PMEs partem desses três estados, respectivamente, contra 7%, 5% e 4% no caso das grandes marcas.
Assim, as regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste concentram 26%, 6% e 4% dos envios de PMEs, o que reforça uma distribuição menos concentrada nos polos tradicionais do comércio eletrônico.
Estados do Sul lideram crescimento de envios
Considerando PMEs, grandes marcas e marketplaces em conjunto, Santa Catarina teve o maior crescimento de envios do semestre, com alta de 24% ante o mesmo período de 2025. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (23%), Paraná (17%), Distrito Federal (10%) e Ceará (4%).
Entre as categorias de produto, móveis e decoração somou expansão de 105% no período, seguida por alimentos não perecíveis (25%) e óticas (20%). O resultado indica que o comércio eletrônico segue incorporando segmentos novos, além dos já consolidados.
Logística antecipa datas comerciais
O calendário de datas comerciais também deixou marca na operação. Nas semanas do Dia do Consumidor e do Dia dos Namorados, grandes negócios registraram alta de 9% e 4%, respectivamente, enquanto a semana do Dia das Mães manteve estabilidade na comparação com o período anterior.
Apesar das diferenças entre datas, alguns padrões se repetiram. Cosméticos e perfumaria apareceu entre as categorias de maior movimento nas três ocasiões, enquanto vestuário e moda, eletrônicos e informática e alimentos não perecíveis também tiveram presença constante entre os segmentos mais ativos.
“Os dados reforçam que o planejamento logístico precisa acompanhar não apenas os grandes picos de demanda, mas também as mudanças no comportamento do consumidor e a diversificação dos negócios que vendem pela internet”, explica Fracchia.
Rede logística garante prazos em todo país
No período analisado, a operação percorreu 17,5 milhões de quilômetros para conectar empresas e consumidores em mais de 5 mil cidades brasileiras. Mais de um terço dos pacotes chegou ao destino em até dois dias, enquanto metade foi entregue em até três dias.
Os números mostram como a logística voltada a pequenos negócios passou a cobrir uma extensão maior do território nacional, acompanhando a demanda por prazos previsíveis em diferentes regiões do país.
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